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quarta-feira, 17 de junho de 2009

Sobre o inimigo



Texto: Ricardo Gondim

Caramba, como se fala no diabo! Fico impressionado como ele se tornou necessário. O diabo suga a fé, derruba crente, se infiltra em poderosas redes de televisão, envia pragas, fura pneu de carro, provoca terremotos, conhece os limites dos municípios e domina territórios. Compete e ganha de Deus. É diabo para cá e para lá o tempo todo.

Se alguém está triste, advinha quem mandou a tristeza. Se alguém duvida, advinha quem mandou a dúvida. Se alguém adoece, advinha quem mandou a enfermidade. Arre! Chega! Será que ninguém vai assumir o que faz? Fica fácil culpá-lo já que o mundo inteiro está controlado, guiado, dominado, manipulado e organizado por Satã. Mas o Bicho merece o estatus de espantalho, Judas, bode expiatório? Até quando os humanos vão projetar nele suas mazelas?

Dá para compreender tanta importância. Como se levantaria dinheiro nas igrejas se o Capeta não fosse a estrela do show da fé? Como televangelistas inculcariam pavor nas pessoas se o Coisa-Ruim não fosse tão medonho? Como as poderosas multinacionais da fé subsidiariam seus projetos se o Demo não adquirisse tanta força? Confesso. Tenho medo de uma religião em que o mal se torna o pivô da espiritualidade. Fico apreensivo com uma fé que não pode prescindir de ameaças e arredio com uma ética constrangida pela possibilidade de Satanás ter direitos legais para arrasar as pessoas que erram.

Não discuto a sua existência. Fico apenas suspeitoso com tanta badalação. Eu já não gostava dele, agora não aguento mais ouvir falar na Peste. Por mim, Belzebu não receberia nenhum jabá. Eu não permito que ele dê o tom do meu culto a Deus; não aceito que seja a minha motivação para agir. Enfim, não deixo que ele tome o lugar de Jesus.
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Comentário do blogueiro:

Um grande amigo me disse certa vez, que em um culto, enquanto ministrava o louvor ao Pai, o pastor chegou e disse:
- Tá fraco, tá fraco !!! Vocês não estão fazendo guerreando espiritualmente enquanto louvam. Tá errado! Vamos para cima do diabo!!! Ataaaaaaaaaaacaaaaaaaaaar!!! Meu amigo então se virou e disse:

- Desculpe pastor, mas não vou louvar a Deus pensando no diabo, não vou mesmo!Onde há luz, trevas se dissipam.


Gondim tem razão, o diabo se tornou necessário, e não são poucos os que tiram proveito desta campanha de demonização do cosmos. Ora, se o mundo está encapetado por inteiro, dominando territórios, nações e continentes (Deus e seus santos anjos devem estar escondidinhos em algum universo paralelo por ai) e Deus me concedeu uma unção especial para desencapetá-lo, sábios são os que me seguem, consomem minhas revelações e colocam em prática meus métodos. Assim, muitos vão ficando famosos anunciando as profundezas ocultas de Satanaz e seus demônios. Vai entender.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Avivamento insípido, país doente



Texto: Daniel Grubba


Toda vez que via a igreja com gente "saindo pelo ladrão" logo pensava: "Isto que é avivamento!" Semelhantemente quando um novo censo do IBGE constatava o crescimento carismático pentecostal; ou até mesmo, quando alguns profetas teatralizavam aqueles atos proféticos cheio de signos e símbolos, que carregavam em si mesmo o poder imediatista da mudança do país. Em outras ocasiões, gritos exagerados de júbilo eram corneteados em ovação pública quando o empolgado pastor dizia: "Seremos a maior nação evangélica, este país será transformado!". É extasiante perceber que você faz parte de algo tão grandiosamente messiânico, é um exorcismo simbólico da crise de inferioridade tupiniquim.


Os anos passam e o fervor dos zelotes é suprimido pela força das contrariedades. Nos tornamos os céticos joão-batistas, investigadores da missão de homem de Nazaré. "És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro?" (Lucas 7 : 20). Entretanto, há aqueles que a semelhança de Judas, de tão decepcionados tentam forçar uma barrinha, e acreditam de todo coração poder arrancar do cordeiro de Deus um rugido de leão. Neste caso, o fim todos sabem; suas vísceras tornar-se-ão um espetáculo macabro. Os fins não justificam o meio.


Eis abaixo uma constatação perturbadora do bispo Anglicano Robinson Cavalcanti:


O pentecostalismo que nos chegou não foi o da ala negra da rua Azuza, com sua visão social, mas o da ala branca, com seu isolacionismo, sua ascese extra-mundana e sua escatologia pré-milenista pessimista. Com o passar do tempo, permaneceu apenas o conceito de pecado individual e de uma ética individual da santidade negativa (não fazer o mal) — e não da santidade positiva (fazer o bem) — legalista, moralista, sem os conceitos de pecado social e pecado estrutural, e ética social. A teologia da libertação, racionalista, enfatizaria esses últimos às custas dos primeiros, e, por fim, a teologia liberal pós-moderna, relativista, e amoral, negaria ambos. A “batalha espiritual” reforçaria a alienação e a teologia da prosperidade seria a face religiosa do neoliberalismo capitalista. O neo-pós-pseudo-pentecostalismo não prega conversão e santidade, mas neo-indulgências e sessões de descarrego. Do novo nascimento ao sabonete de arruda tem sido um longo caminho, por onde passam os sócios “evangélicos” dos escândalos da República. Uma igreja insípida não salga nem salva um país enfermo.

segunda-feira, 9 de março de 2009

O filão religioso




O filão religioso / Ricardo Gondim


As Casas Bahia disputam o mesmo mercado que a Magazine Luiza. As duas lojas se engalfinham para abocanhar o filão dos eletrodomésticos, guarda-roupas de madeira aglomerada e camas de esponja fina. Buscam conquistar assalariados, serralheiros, aposentados e garis. Em seus comercias, o preço da geladeira aparece em caracteres pequenos, enquanto o valor da prestação explode gigante na tela da televisão. A patuléia calcula. Não importa o número de meses, se couber no orçamento, uma das duas, Bahia ou Luiza, fecha o negócio - o juro embutido deve ser um dos maiores do mundo.


Toda noite, entre oito e dez horas, a mesma lengalenga se repete nos programas evangélicos. Pelo menos quatro “ministérios” concorrem em outro mercado: o religioso. Todos caçam clientes que sustentem, em ordem de prioridade, os empreendimentos expansionistas, as ilusões messiânicas e o estilo de vida nababesco dos líderes. Assim, cada programa oferece milagres e todos calçam suas promessas com testemunhos de gente que jura ter sido brindada pelo divino. Deus lhes teria abençoado com uma vida sem sufoco. Infelizmente, o preço do produto religioso nunca é explicitado. Alardeia-se apenas a espetacular maravilha.


Considerando que a rádio também divulga prodígios a granel, como um cliente religioso pode optar? Para preferir uma igreja, precisa distinguir sobre qual missionário, apóstolo, pastor ou evangelista, Deus apontou o dedo. E se tiver uma filha com leucemia aguda, não pode errar. Ao apelar para uma igreja com pouco poder, perde a filha. O correto seria freqüentar todas. Mas como? Em nenhuma dessas igrejas televisivas o milagre é gratuito ou instantâneo. As letrinhas, que não aparecem na parte de baixo do vídeo, afirmariam que, por mais “ungido” que for o missionário, um monte de exigência vem embutida na promessa da bênção. É preciso ser constante nos cultos por várias semanas, contribuir financeiramente para que a obra de Deus continue e, ainda, manter-se corretíssimo. Um deslize mínimo impede o Todo Poderoso de operar; qualquer dúvida é considerada uma falta de fé, que mata a possibilidade do milagre.


Lojas de eletrodoméstico vendem eletrodoméstico, óbvio. Igrejas evangélicas comercializam a idéia de que agenciam o favor divino com exclusividade. E por esse serviço, cobram caro, muito caro. Afinal de contas, um produto celestial não pode ser considerado de quarta categoria. A "Brastemp" espiritual que os teleevangelistas oferecem vem do céu. O acesso ao milagre se complica, porque todos mercadejam o mesmo produto. Os critérios de escolha se reduzem a prazo de entrega, conforto e garantia. Opa, quase esqueci! As lojas, em conformidade com o Código do Consumidor, são obrigadas a dar garantia, mas as igrejas evangélicas não dão garantia alguma. O cliente nunca tem razão. Quando a filha morrer de leucemia, o pai, além de enlutado, será responsabilizado pela perda. Vai ter que escutar que a menina morreu porque ele “deu brecha” para o diabo, não foi fiel ou não teve fé.


Mercadologicamente, Casas Bahia e Magazine Luiza estão bem à frente das igrejas. Melhor assim, geladeira nova é bem mais útil do que a ilusão do milagre.


terça-feira, 3 de março de 2009

O deus da lâmpada mágica


Basta alguns minutos na TV ou na rádio e ele aparece. Sempre com ofertas irresistíveis. Não teme mostrar sua fraqueza, nem seu desespero por companhia. Sua meta é nos livrar dos problemas de nossa existência. Ele ama dinheiro e sacrifício, não teme revelar sua face neoliberalista, e proclama com paixão seus caminhos que nos levam a obtenção de todos nossos desejos. É capitalista e usa bem esta estrutura mercadológica. Ama os fortes da fé, os que decretam sentenças, todavia detesta os duvidosos. Em seu arsenal encontra-se toda sorte de objetos milagrosos. Ele na verdade, se parece com um grande supermercado, você escolhe o que precisa, coloca na cesta, paga no caixa o devido preço e vai viver sua vida.


O deus da lâmpada mágica é assim. Ele ludibria, enfeitiça e mais; usa os nomes e atributos do verdadeiro Deus. Incrível é ver sua força ser proclamada por homens e mulheres, em geral líderes, que por ingenuidade ou picaretagem dão a esta divindade híbrida todo espaço necessário para pescar e cativar as almas.


A reflexão de Rubem Alves, em seu livro "Religião e Repressão" é bem oportuna. Ele diz:


"Os grupos "evangélicos" de hoje, não se preocupam com o destino da alma depois da morte. As pessoas não são convertidas para serem "salvas". Elas se convertem para viver melhor esta vida. O que interessa é a vida antes da morte, neste mundo. O que se busca é a "benção". Deus é o poder magico, que se corretamente manipulado, conserta os estragos que o diabo faz na vida de cada um. Talvez essa seja a razão para seu sucesso (...) Como disse Dostoiévski, "os homens não estão atrás de Deus, estão atras do milagre". Deus é o poder que faz a vontade dos homens, se as fórmulas magicvas forem usadas segundo a receita".

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Os neo-profetas da paz




Por razões obvias, na mente de muitos, Deus se manifesta apenas em meio as vitórias e sucessos da vida. De acordo com este "conceito triunfalista", não existe espaço para derrota ou fracasso.


"Deus é glorificado em meio a vitórias, e não na derrota", é o que vaticinam nos púlpitos. Neste caso, se houver alguma espécie de derrora ou fracasso, então, você deve; Expulsar, amarrar, lançar para o abismo, fazer atos proféticos, frequentar campanhas da vitória, aumentar o dízimo, melhorar a oferta, orar mais, jejuar mais, ungir, tomar banho com sabonete ungido, passar toalhinha com o suor do pastor, fazer despacho com água do rio jordão, participar de um sessão de descarrego ou desencapetamento total, e mais um monte de babaquices "santas".




Vejam abaixo este e-mail profético da vitória.



Esse é o primeiro e-mail do ano, portanto profetizo na vida de vocês:
Um Janeiro de Provisão...
Um Fevereiro de Restituição...
Um Março de Milagres...
Um Abril de Restauração...
Um Maio de Portas Abertas...
Um Junho de Vitórias Certas...
Um Julho de Maravilhas Incontáveis...
Um Agosto de Surpresas Inigualáveis...
Um Setembro de Muita Glória...
Um Outubro de Muita Vitória...
Um Novembro de Sonhos Realizados...
Um Dezembro de Desejos CONCRETIZADOS...
TENHAM UM ANO CHEIO DE VITÓRIAS!!!


A pergunta é: Este sucesso profético vem em nome de quem? Jesus ou "deus-ventre"? Não quero fazer apologia ao fracasso e a miséria, todavia "no mundo tereis aflições" ja dizia o realista existencial, Jesus de Nazaré. Por mais incongruente que pareça, as melhores vitórias vem em meio as "aparentes derrotas" da vida. Em última análise, a maior das vitórias, nossa salvação eterna, foi efeito de um momento desgraçado e humilhante, a cruz!


O que o profeta Jeremias tem a dizer dos "profetas da paz"?


É extremamente importante ouvi-lo, pois não houve outra época onde os profetas da paz enganaram mais o povo com falsas ilusões do que a sua. Que se levantem outros Jeremias em nossa geração complacente e bajuladora!


Com a palavra, Jeremias 28.6-9:


Disse, pois, Jeremias, o profeta: Amém! Assim faça o SENHOR; confirme o SENHOR as tuas palavras, que profetizaste, e torne ele a trazer os utensílios da casa do SENHOR, e todos os do cativeiro de Babilônia a este lugar. Mas ouve agora esta palavra, que eu falo aos teus ouvidos e aos ouvidos de todo o povo:

Os profetas que houve antes de mim e antes de ti, desde a antiguidade, profetizaram contra muitas terras, e contra grandes reinos, acerca de guerra, e de mal, e de peste. O profeta que profetizar de paz, quando se cumprir a palavra desse profeta, será conhecido como aquele a quem o SENHOR na verdade enviou.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Você foi feito para pensar!


Prevalece em nossos dias, principalmente dentro das igrejas mais carismáticas, um absoluto espírito de anti-intelectualismo. Não falo de um demônio burro e ignorante quando me refiro a espírito, mas discorro sobre um conceito filosófico que permeia a praxis cristã da grande maioria daqueles que frequentam as igrejas.


Obviamente seria demasiadamente longo buscar a raiz história deste conceito e os malefícios causados, mas podemos apontar o séc. XIX como o momento em que se lançou as bases da dicotomia entre a fé e a razão no seio do cristianismo, e devemos isto principalmente ao metodista Peter Cartwright [1].


Algumas características deste movimento e deste zeitgeist (espírito do tempo em alemão).


1- Um movimento tendenciosamente misticista.
2- Afastamento da revelação objetiva de Deus.
3- Oposição a teologia e ao conhecimento humano.
4- Abandono ao raciocínio e aos processos de cognição.
5- Pragmatismo e a busca por resultados através de métodos duvidosos.


Gostaria de deixar um conselho de Charles Finney (1792-1875), teólogo e filosofo americano.


"Meu irmão, irmã, amigo: leia, estude, pense e leia novamente. Você foi feito para pensar. Far-lhe-á pensar; desenvolver suas capacidades pelo estudo. Deus determinou que a religião exigisse pensar, pensar intenso, e desenvolvesse nossa capacidade de pensamento. A própria Bíblia é escrita em estilo tão condensado para exigir o mais intenso estudo".


[1] mais informações no livro "Pentecostal de coração e mente - um chamado ao dom divino do intelecto" / Rick Nañez


Soli Deo Gloria

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Eu li...Assentados nos lugares celestiais / Ana Mendez Ferrel

O livro de Ana Mendez, como não poderia deixar de ser, é um livro baseado em visões e revelações proféticas. Alias, Ana Mendez tem sido considerada como profetiza e apóstola no famoso grupo "rede apostólica internacional". Todavia, a intenção da autora em compartilhar com os leitores sua visão é nobre, porém peca na falta de fundamentação bíblica. O próprio editor Pr. Silas Quirino, no prefacio a edição brasileira, alerta aos leitores assim: Os que intentarem ler este livro de uma perspectiva meramente acadêmico-exegética, talvez, não aguentem chegar ao fim, porque sua natureza não é esta, p.10.

Ana Mendez, então, interpreta a Bíblia à luz de suas experiências pessoais, quando a regra para uma correta interpretação do texto é o oposto disso. Ela, por exemplo, diz que devemos ver e entrar no Reino de Deus literalmente (baseado em João 3). Então devemos orar, ser arrebatados e ver Deus face a face. Ou seja, não precisamos esperar morrer para isso. Como ela chegou a esta conclusão? Segundo relatado no livro, ela foi arrebata ao céu várias vezes e viu Deus e seu Reino. Então nada mais natural sugerir que este texto que registra a fala de Jesus com Nicodemus signifique o que a experiência dela a ensinou.

De fato, Ana, deseja que a igreja alcance um nível de intimidade, que ela chama, o nível da Noiva. Ser filho, para ela, não basta mais, há níveis mais profundos. O problema nesta visão é que ela foi mais uma vez demasiadamente literalista. Na página 132, ela chega a dizer que enquanto noiva, teve uma experiência com os beijos da boca do Senhor. Achei um pouco estranho. Ela testemunha assim: Numa ocasião, enquanto adorava e sentia "esses beijos" da boca do Senhor; Ele me levou, em espírito, ao céus.

Precisamos sempre nos lembrar que devemos julgar as experiências a luz da palavra de Deus e não o contrário. E Ana Mendez, como tem aversão ao estudo teológico, não se preocupa em fazer isso. O importante, segundo ela, é ser arrebatado, ouvir novas palavras de Deus, ver o Reino literalmente, etc. Chama atenção a falta de alertas para que estas experiências sejam governadas pela palavra escrita de Deus.

Como postei no artigo inteiro, acredito que é importante cultivarmos um fé viva e experimental, mas nunca podemos deixar de firmar nossos pés na sólida edificação dos apóstolos e profetas na Bíblia, e não como ela sugere quando diz que uma nova edificação apostólica está sendo alicerçada. Para Ana Mendez, estamos para viver a verdadeira unção apostólica.

Fiquei com a sensação, que ainda que ela não goste de teologia, existe neste livro uma teologia bem peculiar, e por mais que tente, não há como fugir disso. Todos que falam de Deus estão teologizando. E dentre muitas particularidades, duas chamam atenção de qualquer leitor. Primeiro, o fato de Ana tentar inculcar que nos somos espíritos e menos carne (uma visa bastante platônica e agnóstica, onde o corpo é inerentemente mal.) Segundo, a teologia bizantina de ver a Deus fisicamente, literalmente.

Acretido que Ana Mendez é uma serva de Deus, piedosa, e certamente deseja com devoção a manifestação do Reino de Deus. Não sou contra a pessoa de Ana Mendez, de modo algum. Mas lendo seus escritos, me convenço mais uma vez que a Bíblia precisa ser o alicerce de toda nossa vida cristã. Fugir disso, pode ser perigoso.

O livro pode edificar quem busca uma fé mais sobrenatural, mas não convence teologicamente.

Soli Deo Gloria

terça-feira, 3 de junho de 2008

Sereis conhecidos pelos frutos (Mt. 7.20)

Não é mais novidade para ninguém que o movimento pentecostal não para de crescer. Estamos diante de uma revolução sócio-religiosa que não é mais exclusividade entre os evangélicos, pois o movimento RCC também figura nas principais estatísticas. E segundo os sociólogos da religião, os fatores que determinam o crescimento são variados. Persuasivo proselitismo dos protestantes pentecostais, instabilidade do mundo moderno, insegurança, condições sociais inadequadas, motivos filantrópicos, desejo de fazer parte de algum grupo, e assim por diante. Para se ter uma idéia, um em cada quatro morador do Rio de Janeiro se declara evangélico, e a grande maioria destes 20% pertencem a denominações pentecostais. Chama atenção o fato da cidade maravilhosa, a mais evangélica da nação, ser também a mais violenta segunda uma recente pesquisa do IBGE.

A verdade é que estamos crescendo, mas não estamos influenciando. Levam multidões aos templos com promessas tentadoras, de dar inveja ao setor de marketing das Casas Bahia. Prometem mundos e fundos. Curas milagrosas, prosperidade financeira, libertação do demônio, estão oferecendo até proteção contra dengue. Prometem o céu na terra e vaga no céu mediante uma boa oferta. E para os mais espirituais, os dons estão a disposição também.

Os dons espirituais são importantes para a igreja, todavia, a igreja de Jesus, precisar ser conhecida pelos frutos e não pelos dons. De que vale falar todas as línguas, se não tenho amor? Os dons são tão mal compreendidos e os frutos tão timidamente incentivados, que muitos reconhecem um "servo de Deus" como aquele que ora em línguas estranhas, profetisa, roda, cai na unção, sapateia no fogo e assim por diante. Mas Jesus alertou em Mateu 7.22-23:
Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade.

A igreja nacional está cheia de dons, exatamente como aquela figueira cheia de folhas mas sem frutos, que foi amaldiçoada por Jesus (Mt.21.19). É só aparência. Somos como a igreja primitiva de Corinto, a igreja que mais fluía nos dons, mas curiosamente, a mais problemática e escandalosa. Muitos ainda tem coragem de dizer que estamos passando por um período de avivamento como nunca antes jamais visto. De fato, estamos crescendo numericamente, nossos templos cada vez maiores, mas e a qualidade onde fica? Não, mas esta caindo pó de ouro do céu. Que maravilha! Antes deveríamos ficar maravilhados com um carácter que foi transformado, com sociedades transformadas.

Definitivamente não sou contra os dons, mas acredito que deveríamos incentivar com mais veêmencia os frutos. Desejo o avivamento, uma revolução de santidade em nossa nação, mas não este pseudo-avivamento, onde o que mais importa é exaltar a placa da igreja. Pseudo-Avivamento que tem o intuito de declarar o poder de um método e deste modo dizer; Vejam como somos grandes, imitem nossas táticas apostólicas e prosperem. Não, a honra deve ser dada a Deus. O avivamento que desejo é semelhante ao Grande Reavivamento (XVII) iniciado na Ingleterra, através da figura de Jonh Wesley. Ali havia dons, mas principalmente frutos. E os frutos eram tão abundantes, que uma sociedade corrompida com era aquela, desde a alta aristocracia até os bárbaros mineiradores, foi completamente impactada. Ao ponto de Wesley, de tão maravilhado, passar a proclamar a doutrina da perfeição cristã e incentivar a todos serem exatamente como Jesus.

Daniel Grubba