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domingo, 13 de setembro de 2009

Saia do meio deles !!!



Esta mensagem foi pregada no domingo posterior aos ataques das Torres Gêmeas. Vale a pena conferir. Cai como uma luva para todos nós.

É difícil ouvir e não se emocionar com o tom dramático e verdadeiro em que ela é anunciada.

Fonte: Genizah

sexta-feira, 31 de julho de 2009

A sedução de Mamom

Por Ed René Kvitz


Jesus chamou o dinheiro de Mamom: “Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e a Mamom” (Mateus 6.24; Lucas 16.13).

Isso significa que para Jesus o dinheiro é um poder, muito parecido com uma divindade que exige adoração, submissão e lealdade, e determina como seus adoradores / escravos devem viver.

O senso comum utiliza o comentário do apóstolo Paulo para dizer que o dinheiro em si não é o problema, pois apenas “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males” (1Timóteo 6.10). Mas Jesus adverte que o dinheiro não é neutro, mas algo como um organismo vivo, com uma força sedutora quase irresistível, quase um demônio, na verdade, uma potestade: uma coisa que funciona como se fosse uma pessoa. Alguém sugeriu que “Mamom é dinheiro elevado à categoria de deus”, mas acredito que todo dinheiro é Mamom: um bicho que deve ser domado e controlado com as rédeas curtas da autoridade espiritual de Jesus.

Jesus ensina que o dinheiro é uma riqueza menor e falsa, própria de um sistema social injusto e opressivo, organizado contra os valores e interesses do reino de Deus que visa sempre a justiça e paz (Lucas 16.9-13). O dinheiro é, portanto, considerado por Jesus um dos maiores tropeços para a fidelidade a Deus e ao reino de Deus, já que “é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus” (Mateus 13.22; Lucas 12.13-21; 18.18-25), e por essa razão deve ser tratado com o cuidado de quem manuseia nitroglicerina: qualquer movimento em falso a coisa explode na cara.

Jesus recomenda enfaticamente que você se esforce para domar o dinheiro antes que ele se torne o senhor do seu coração. As sugestões de Jesus são simples e desafiadoras. A primeira coisa a fazer é se livrar de todo e qualquer dinheiro ganho desonestamente: restituir a quem de direito ou doar aos pobres (Lucas 19.1-10). A segunda proposta de Jesus é praticar generosidade. O dinheiro funciona com a lógica da conquista e do mérito - “quem não tem competência não se estabelece”, e da dominação - “quem paga, manda”. A doação generosa - “fazer o bem sem ver a quem”, quebra o encanto desse tirano chamado Mamom (Lucas 10.25-37). A terceira recomendação de Jesus é transportar o dinheiro da terra para o céu: transformar riquezas efêmeras em riquezas eternas, que em termos práticos significa que pessoas, caráter, dignidade, justiça valem mais que coisas e dinheiro (Mateus 6.19-21; Lucas 16.9-12). Finalmente, Jesus recomenda que o dinheiro seja colocado em circulação para gerar riquezas coletivas: investir, fazer negócios, movimentar a ciranda das riquezas para beneficiar o maior número possí­vel de pessoas (Mateus 25.14-30; Lucas 16.19-31; 19.11-27).

Tudo quanto Jesus falou a respeito de dinheiro deriva de sua compreensão básica - que para variar contraria absolutamente o senso comum (Mateus 6.19-34). Jesus acredita que não é o dinheiro que segue o coração, é o coração que segue o dinheiro. Isto é, se você vive para multiplicar dinheiro, seu coração vai tomando a forma de cifrão, e aos poucos você vai ficando parecido com Mamom que se cobre de inveja, cobiça e ansiedade - pretensão de controlar o incontrolável. Mas se a sua preocupação é com o reino de Deus e a sua justiça, pode dormir o sono dos filhos do céu, sob os cuidados do Deus que veste as flores e cuida dos passarinhos.

2009 | Ed René Kivitz

Fonte: Ibab

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Religião da satisfação dos desejos


"Na atualidade assistimos a uma enorme expansão de religiões de satisfação dos desejos. Se a nossa cultura é, como dizia J. Galbraith, uma cultura da satisfação, essa realidade não poderia deixar de influir na religião. Multiplicam-se as religiões cujo objetivo é invocar a Deus ou as forças sobrenaturais para dar segurança, tranquilidade interior, paz, saúde, equilíbrio psicológico, emprego, felicidade. Elas defendem uma teologia da prosperidade. Essas religiões criam um ambiente de fervor religioso, de emoção, de alegria tal que as pessoas por elas atingidas se sentem consoladas e fortalecidas. Muitas vezes têm a impressão de que as suas doenças desapareceram. A religião da satisfação dos desejos penetrou profundamente no protestantismo e também no catolicismo, estando na base das novas religiões holísticas. O objetivo é sempre bem-estar individual. Tais religiões estão muito longe da esperança de Jesus, porque fazem dela apenas força para ajudar a satisfazer aos desejos. Ignoram a mensagem de Jesus. Invocam sem cessar a Bíblia, mas desconhecem seu conteúdo."

José Comblin em O Caminho - Ensaio sobre o seguimento de Jesus

terça-feira, 23 de junho de 2009

Amor ao dinheiro



"Porque nada trouxemos para este mundo, e nada podemos daqui levar;
tendo, porém, alimento e vestuário, estaremos com isso contentes.
Mas os que querem tornar-se ricos caem em tentação e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, as quais submergem os homens na ruína e na perdição.
Porque o amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores".


Saulo de Tarso em I Timoteo 6.7-10

domingo, 14 de junho de 2009

Sem barganha com Deus


Texto: Daniel Grubba

Uma das coisas mais assustadoras em muitos ambientes religiosos é a prática da barganha com Deus. É algo tão comum que tornou-se em sistema axiomático, que robotiza Deus, e também o torna um mero-servidor-do-homem. É o mercado negro e clandestino da fé, que seduz pelas artimanhas manipuladoras daqueles que o travestem de espiritualidade profética.

Este evangelho da barganha, o qual não é evangelho mas uma perversão, é terrível por muitos motivos. Em primeiro porque torna o sangue de Jesus em produto vendável-rentável, em suco de uva em pó, em algo dispensável, diluído e barateado. O sujeito-consumidor que não o deseja, pode simplesmente optar por outro produto, posto que no mercado existem outras opções mais atrativas: sabonetes, toalhas, rosas, novenas, ritos, campanhas. Tudo se traduz em produtos que tornam o milagre-benção-proteção uma possibilidade sem a necessidade do eterno sangue do cordeiro.

Um outro motivo, é a suplantação e rejeição da maravilhosa graça. No sistema da troca com Deus, a graça é doutrina envelhecida, não a verdade do coração. Deste modo, o padrão de comportamente é a insensatez dos Gálatas e o principal alimento é o fermento que leveda toda massa. Sendo assim, a graça é para os fracos, uma vez que os que tem poder de barganha optam pela "teologia retributiva do mérito". Ou seja, eu mereço porque sou santo, porque pago mensalmente ao poder fiscal celestial meus dízimos e ofertas, porque não sou como estes publicanos pecadores, e assim por diante...

Se os que lhes digo parece estranho, então ouçam C.S. Lewis, ele foi incomparavelmente mais claro:

"Se tínhamos a idéia de que Deus nos impunha uma espécie de prova na qual poderíamos merecer passar por tirar notas boas, essa idéia tem de ser eliminada. Se tínhamos a idéia de uma espécie de barganha - a idéia de que poderíamos cumprir a parte que nos cabe no contrato e deixar Deus em dívida conosco, de tal modo que, por uma questão de justiça, ele ficasse obrigado a cumprir parte dele - , ela deve ser eliminada também [...] Creio que quantos possuem uma vaga crença em Deus acreditam, até se tornarem cristãos, nessa idéia da prova ou da barganha. O primeiro resultado do verdadeiro cristianismo é o de reduzir essa idéia a pó [...] Deus está à espera do momento em que você vai descobrir que jamais conseguirá tirar a nota mínima para passar nesse exame, e não poderá jamais deixá-lo em dívida".

C.S. Lewis em Cristianismo puro e simples, p. 190.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Ana Paulo Valadão critica Teologia da prosperidade

Indo na contra-mão do sistema evangélico atual, a querida Ana Paula (Diante do Trono) desceu o sarrafo na teologia da prosperidade. Veja o trecho da pregação. Gostei!!!



Fonte: http://amenidadesdacristandade.blogspot.com/

terça-feira, 14 de abril de 2009

Quem é esse que dá carros aos ricos e escárnio aos necessitados?




Por Danilo Fernandes

Outro dia eu estava parado em um sinal de transito na saída da linha amarela. Olhei para os lados e contei cinco destes adesivos de propaganda de autoria da fina flor destes “apóstolos” da chamada teologia da prosperidade. Antes que eu pudesse refletir a respeito, sinto um cutucar em meu braço, apenas um prenúncio do desconforto que se seguiria aos comentários de um amigo não cristão:

- Acha pouco? Eu vejo esta gente mentirosa desfilando santidade e desapego e só “tomando posse aqui” “prosperando com Cristo ali”; fazendo campanha para comprar carro para depois ficar desfilando pela cidade com adesivo dizendo que foi Jesus Quem deu. Visualiza: Sinal fechado, avenida movimentada. Pedintes e meninos miseráveis presentes. Fome. O que este adesivo diz a respeito do seu Deus a estes miseráveis precisando tão desesperadamente de ajuda? - Eis aqui um “deus” que dá automóveis aos ricos e se cala para nossa miséria. - Gente hipócrita que não pode aplicar na bolsa, mas investe na fogueira santa de Israel!

Claro, Conhecemos as respostas. Esta é a luta. Mas, sinceramente, está feia a coisa! Que desserviço faz ao Reino esta gente!

- Aloôô!? Jesus não padeceu na cruz para que todos tenham a sua BMW!

Que tipo de mensagem é esta que essa gente prega? E quem os segue: - Tolos ou ignorantes? Convertidos ou “impactados”? Quem vai ao açougue se pretende comprar roupas? Pode alguém buscar qualquer coisa mundana e encontrar a Deus? O dinheiro, tanto mais? Enganem-se aqui e ali, mas certas coisas são tão claras. Ditas pelo próprio Senhor Jesus! Por que esta gente decide basear seu ministério numa filosofia que torna ainda mais difícil as pessoas receberem a Salvação? E isto tudo dentro da própria igreja de Jesus! Estes pregadores ajudam o seu rebanho a se libertar de sua escravidão às coisas do mundo para buscar a Deus, ou ao contrário, o que fazem é lhes ferrar ainda mais os grilhões na carne? O que esta gente está fazendo, criando uma geração para testemunhar contra o caráter Santo de Deus?

Não tenho nada contra o dinheiro, mas a maioria serve ao dinheiro; mais inteligente é ter o dinheiro a seu serviço!

Custa muito ensinar que o nosso Senhor é sim, um Deus de providência. Um Deus de Amor que conhece e aprecia todos os desejos; medos; necessidades; e sonhos de Seus filhos? Mas e o Reino? Custa apresentar a verdade? Custa conclamar o seguir a Jesus, sem agregar junto uma listinha? A campanha infame? Tenham temor! Parem de vender terreno na lua dizendo que a imobiliária é de Jesus! Até onde eu sei o último corretor de imóveis licenciado por Deus no planeta foi Moises! Ainda assim, levou 40 anos para entregar o terreno! E moradia no Céu, só Jesus! Grátis! Sola Fide!

Aos que procuram em necessidade, melhor dizer: - Esqueçam a sua lista de Papai Noel em casa. Noel só sabe das suas renas, mas Jesus te conhece! Ele não precisa de listas! Jesus sabe de cada uma das suas necessidades! Não se preocupe com estas coisas. Nem com o que se perde, e nem com o que se ganha. Ocupe-se, somente. Ocupe-se de buscar o Pai. Faça isto em verdade total. A lista de Jesus é muito melhor, e não tem fim as Suas bênçãos e as Suas misericórdias!

***
Fonte: Genizah via Pulpito Cristão

domingo, 29 de março de 2009

Um mundo de contrastes

quinta-feira, 26 de março de 2009

Portas largas para Abelardos



O Senhor está maluco! Reduzir o capital? Nunca! ...Para defender meu dinheiro, serás executado hoje mesmo! Herdo um tostão de cada morto nacional!

A concentração do capital é um
fenômeno que eu apalpo com minhas mãos. Sob a lei da concorrência, os fortes comerão sempre os fracos.

Só se pode prosperar a
causa de muita desgraça, mas de muita mesmo!


Estas são falas de Abelardo I, personagem central do livro de Oswald de Andrade - O Rei da Vela. Percebe-se claramente que se trata de uma caracterização perfeita de um ganancioso capitalista, totalmente desumano e egoísta.

A percepção que tenho (quero estar errado), é que Abelardos são bem vindos na maioria das igrejas, e mais; são considerados abençoados, pois segundo o entendimento da massa, foram galardoados com o raríssimo "dom de adquirir riquezas".

Abelardos, na maioria das vezes, encontram seu lugar de destaque nos primeiros assentos (E atentardes para o que traz traje e lhe disserdes: Assenta-te tu num lugar de honra - Tiago 2.3) e são disputados a tapa por líderes que olham apenas a vantagem de tê-los como sócio-parceiros ministeriais. A razão está no fato dos Abelardos poderem colocar a disposição destes megalomaníacos narcisistas o poder da realização. Não há limites. Ora, pense nas possibilidades: Espaço na mídia, status social, abertura política, terrenos, templos, e alguns mimos também.

Abelardos são aqueles que não sabem discernir entre a sua mão direita e sua mão esquerda. Isto é, não bem onde está o limite entre a necessidade e o desejo. Sua convicção é a de que Deus realizará todos os seus desejos, mesmo que isto implique em cavar ainda mais o abismo da desigualdade social.

Pergunto como é possível algo outrora considerado tão perverso se tornar um símbolo de status e mera convenção social? Ora, será que houve uma trágica redução do evangelho, aquilo que René Padilla chama de evangelho-cultura? Isto é, podemos dizer que o evangelho se tornou um covil de Abelardos? Será que a mensagem de prosperidade material conseguiu alienar as consciências e encobrir a estupidez da exclusão social, exploração dos pobres e aniquilação dos recursos naturais?

Pense e reflita.

sexta-feira, 20 de março de 2009

A nauseante Teologia da Prosperidade

Vejam o vídeo e tirem suas conclusões. Apenas observem a face religiosa do neoliberalismo capitalista nas expressões destes animadores. É a crise do ser e do ter. Como dizia karl Marx: "O homem deixa de SER e manifestar sua vida na medida em que passa a TER e sua vida se torna alienada".

terça-feira, 17 de março de 2009

Bem-aventurado os pobres


Os teólogos da prosperidade costumam relacionar pobreza material com maldição. Pobreza é maldição, e por implicação todo pobre é maldito. Um deles chegou a afirmar "a única vez em que as pessoas foram pobres na Bíblia foram quando elas estiveram sob uma maldição"1.

Para nós que vivemos em uma sociedade que organiza sua economia segundo o sistema capitalista, este discurso não chega a ser nenhuma novidade, posto que apenas os mais fortes se destacam em um mercado de concorrência. Os pobres? Segundo o sistema econômico vigente, são fracos e merecem a pobreza como seu salário; 30 milhões que morrem de fome ao ano porque não são bons suficientes para vencer seu concorrente direto. Quem são estes mortos miseráveis? Segundo a religião do mercado, são os "sacrifícios necessários" para o desenvolvimento e progresso econômico.

É evidente que esta necrófila lógica de mercado e a teologia da prosperidade andam de mãos dadas. Para a primeira pobre é um fraco, para a segunda um maldito. Por isto está na hora de passar a criticar não apenas os pressupostos teológicos desta teologia burguesa, mas sua absoluta desumanidade para com os pobres, oprimidos e miseráveis da terra.

Ouvi, meus amados irmãos. Não escolheu Deus os que são pobres quanto ao mundo para fazê-los ricos na fé e herdeiros do reino que prometeu aos que o amam? Mas vós desonrastes o pobre. Porventura não são os ricos os que vos oprimem e os que vos arrastam aos tribunais? Tiago 2.5-6

Será que existe alguma vantagem em ser pobre? O pobre pode ser considerado um bem-aventurado? O que faz os pobres merecerem a preocupação de Deus? Achei algo interessante no livro de Phillip Yancey2. Veja algumas vantagens:

01- Os pobres sabem que têm necessidade de redenção.
02-Os pobres reconhecem não apenas sua dependência de Deus e de gente poderosa como também interdependência uns dos outros.
03-Os pobres depositam sua confiança não nas coisas, mas nas pessoas.
04-Os pobres não têm um senso exagerado de sua própria importância...
05-Os pobres esperam pouca da competição e muito da cooperação.
06-Os pobres conseguem distinguir entre necessidade e luxo.
07-Os pobres podem esperar, porque adquiriram uma espécie de paciência obstinada...
08-Os temores dos pobres são mais realistas e menos exagerados...
09-Quando os pobres ouvem o evangelho, ele soa como boas novas e não como uma ameaça ou repreensão.
10-Os pobres podem reagir ao apelo do evangelho com certo abandono e com uma inteireza descomplicada porque têm tão pouco a perder e estão prontos para tudo.

Então, levantando ele os olhos para os seus discípulos, dizia: Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus...Mas ai de vós que sois ricos! porque já recebestes a vossa consolação. (Lucas 6.20 e 24)

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1 - Paulo Romeiro, Supercrentes, p.68
2 - Phillip Yancey, O Jesus que eu nunca conheci, p.122

quarta-feira, 11 de março de 2009

Oferta cristã na igreja primitiva, que diferença!

Foto: representação artística dos cristãos em face da morte no Coliseu.


"Os cristãos da igreja primitiva ponderavam sobre o que iriam perder ao abraçar a fé cristã. Eles perdiam suas vidas, suas famílias, suas casas, suas heranças...Hoje, o cristão da igreja moderna se pergunta o que ele vai ganhar acreditando em Jesus: dinheiro, casa, carro, viagens..."


terça-feira, 3 de março de 2009

O deus da lâmpada mágica


Basta alguns minutos na TV ou na rádio e ele aparece. Sempre com ofertas irresistíveis. Não teme mostrar sua fraqueza, nem seu desespero por companhia. Sua meta é nos livrar dos problemas de nossa existência. Ele ama dinheiro e sacrifício, não teme revelar sua face neoliberalista, e proclama com paixão seus caminhos que nos levam a obtenção de todos nossos desejos. É capitalista e usa bem esta estrutura mercadológica. Ama os fortes da fé, os que decretam sentenças, todavia detesta os duvidosos. Em seu arsenal encontra-se toda sorte de objetos milagrosos. Ele na verdade, se parece com um grande supermercado, você escolhe o que precisa, coloca na cesta, paga no caixa o devido preço e vai viver sua vida.


O deus da lâmpada mágica é assim. Ele ludibria, enfeitiça e mais; usa os nomes e atributos do verdadeiro Deus. Incrível é ver sua força ser proclamada por homens e mulheres, em geral líderes, que por ingenuidade ou picaretagem dão a esta divindade híbrida todo espaço necessário para pescar e cativar as almas.


A reflexão de Rubem Alves, em seu livro "Religião e Repressão" é bem oportuna. Ele diz:


"Os grupos "evangélicos" de hoje, não se preocupam com o destino da alma depois da morte. As pessoas não são convertidas para serem "salvas". Elas se convertem para viver melhor esta vida. O que interessa é a vida antes da morte, neste mundo. O que se busca é a "benção". Deus é o poder magico, que se corretamente manipulado, conserta os estragos que o diabo faz na vida de cada um. Talvez essa seja a razão para seu sucesso (...) Como disse Dostoiévski, "os homens não estão atrás de Deus, estão atras do milagre". Deus é o poder que faz a vontade dos homens, se as fórmulas magicvas forem usadas segundo a receita".

sábado, 31 de janeiro de 2009

Mentiras do "evangelho da prosperidade"



NÃO É VERDADE que não teremos sofrimento na vida! O próprio Jesus, sendo o Filho de Deus, não foi poupado de nada que nós também não viéssemos a sofrer. Ele próprio advertiu que no mundo passaríamos aflições, mas que tão somente crêssemos Nele e na sua vitória final. O Mestre também avisou a Pedro que Satanás o requerera para “peneirá-lo”, entretanto Jesus não promete livrá-lo de tal infortúnio, mas diz que oraria, “para que a tua fé não desfaleça”. Este próprio apóstolo, mais tarde escreveria para que não estranhemos o fogo ardente que surge em nosso meio destinado a provar-nos.


NÃO É VERDADE que enfermidade é sinal de pecado, e que o cristão fiel não adoece! Servos fiéis em Cristo podem, em algum momento da vida desenvolver Alzheimer, catarata, depressão, labirintite, câncer, osteoporose ou qualquer outra doença. Neste exato momento há um sem número de cristãos nos hospitais orando humildemente por saúde ou aguardando operação. Companheiros de Paulo, Trófimo ficou doente em Mileto, Epafrodito adoeceu mortalmente chegando às portas da morte por causa da obra e Timóteo sofria de freqüentes enfermidades do estômago. Há vidas trágicas com saúde e há vidas abençoadas sem saúde.


NÃO É VERDADE que todos seremos ricos no sentido material! Cristãos sinceros espalhados neste mundo morrerão sem nunca ter abundância de bens. Milhões de cristãos sudaneses, nigerianos ou quenianos sequer possuem sandálias para calçar. Habitantes do Jequitinhonha, bolsão de miséria no Brasil, poderão conhecer a Cristo, mas provavelmente continuarão morando em suas sufocantes taperas sem jamais se refrescarem sob um ar-condicionado. Devemos lutar contra essas terríveis injustiças sociais, mas sempre sabendo que “nada temos trazido para o mundo, nem cousa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes”.


NUNCA MAIS digam que se alguém não é curado, a culpa é da falta de fé. A muitos que Jesus curou não hes exigiu fé, nem méritos, mas Ele o fez exclusivamente por sua Graça e misericórdia. Eu creio, mas clamo constantemente como aquele pai: “Senhor, ajuda-me na minha falta de fé”.


NUNCA MAIS preguem que as coisas ruins são sempre resultado de maldição. Desde Jó tentaram lhe imputar algum pecado oculto pelo qual estava sofrendo. E ele era justo. Caiu uma torre em Siloé e matou alguns homens. Aos olhos do povo isso poderia indicar que havia algo de errado com eles. Mas Jesus asseverou: “vocês crêem que aqueles dezoito sobre os quais a torre caiu eram mais pecadores do que os demais habitantes de Jerusalém? Em verdade eu digo a vocês não eram. Mas se vocês não se arrependerem, todos igualmente perecerão”.


NUNCA MAIS afirmem que Deus os pôs por “cabeça e não cauda”, tentando justificar proeminência para si. O Reino de Deus é composto em sua maioria por gente humilde, como copeiras, auxiliares, pedreiros, costureiras, gente que nada é aos olhos do mundo. Não há vergonha nenhuma nisto, pois a vida de um homem não consiste na abundância de bens que ele possui.


PAREM de afirmar que são “filhos do Rei”, e por isso estão a salvos das intempéries da vida. Mesmo os filhos do Rei baterão seus carros, torcerão tornozelos, amargarão tempos no hospital e passarão por aperto financeiro.


NUNCA MAIS deturpem textos bíblicos para justificar seus engodos como fizeram com “tudo posso naquele que me fortalece”, que foi retirado do seu contexto original para inferir que “posso alcançar tudo o que eu desejo”, quando na verdade Paulo está falando de sua tribulação, humilhação, pobreza, abandono, escassez... e que ele podia “suportar todas aqueles coisas Naquele que o fortalecia”.


DEIXEM de buscar “cobertura espiritual”, designação que tem produzido ídolos cheios de empáfia que não podem ser contraditados. O que vale não é a cobertura, mas o estar sobre a rocha, que é Cristo.


Quando os maus dias chegarem, e um dia eles chegam, com certeza irão nos perguntar: “E o teu Deus, onde está?”. Responda que ele também está sofrendo contigo, está ao seu lado enxugando suas lágrimas, e que por um breve momento ainda sofreremos, mas que Ele lhe dá a força e ânimo para continuar vivendo sem medo, sem amargura, sem rancor. E que para nós, o melhor ainda está por vir.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

O contraste entre Wesley e os pastores capitalistas



Richard J. Foster observou que o efeito evangelical do pregador metodista John Wesley foi grandemente acentuado pela integridade de sua vida. "Há registros de que Wesley teria dito à sua irmã, "dinheiro nunca fica comigo. Eu me queimaria se fizesse isso. Minhas mãos livram-se dele o mais rápido possível, para que ele não se encontre seu caminho dentro do meu coração". Ele dizia a todos que, se ao morrer tivesse mais de dez libras (por volta de 40 reais) consigo, as pessoas teriam o privilégio de chamá-lo de ladrão".


Um dos biógrafos de Wesley, Mateo Lelievre, nos conta como era a relação deste heroi da fé com o dinheiro e o lucro dos livros:


Ele poupava dinheiro, mas fazia para o bem dos pobres, e não em proveito próprio. Quando consentiu em aceitar o salário da sociedade de Londres, ele mesmo limitou à modesta soma de 30 libras (750 dólares). É verdade que além disso recebia o lucro de venda de seus livros, que às vezes chegava a ser considerável. Mas, depois de retirar o necessário para suas modestas despesas, distribuía o restante com os pobres....Sua maneira de viver era tão singela que, quando lhe perguntavam quanto valia seu aparelho de jantar, julgando que um homem tão notável possuía talheres de grande valor, respondeu:


"Tenho duas colheres de prata aqui em Londres, e duas em Bristol. Esses são todos os utensílios de maior valor que possuo atualmente, e não comprarei mais, enquanto me rodearem pessoas que careçam de pão".


Morreu pobre, como prometera a seus amigos, e nada deixou em sua pobreza, senão "uma grande estante cheia de bons livros, uma toga pastoral bastante usada, um nome escarnecido, e...a Igreja Metodista.


Sobre a venda de livros e o lucro, Wesley dizia:


"Alguns livros alcançaram venda superior as minhas expectativas, e com ela fiquei rico sem querer. mas nunca quis ser rico, nem me empenhei por isso. Como tal fortuna, porém, veio-me inesperadamente, não cumulo riquezas sobre a terra, nem entensouro absolutamente nada para mim. Meu desejo e propósito são distribuir de graça o saldo do fim do ano...minhas próprias mãos executarão a distribuição dos meus bens".


Wesley levou a sério que Paulo disse em II Coríntios 6.3 "não dando nós nenhum motivo de escândalo em coisa alguma, para que o nosso ministério não seja censurado". Infelizmente, existe uma onda de escândalos envolvendo a igreja, intimamente ligados a atos inescrupulosos de ganância e poder. E ainda tem coragem em falar em perseguição? Porque melhor é sofrerdes fazendo o bem, se a vontade de Deus assim o quer, do que fazendo o mal (I Pe 3.17). São perseguidos porque fazem o mal e reclamam? Aprendam com Wesley a serem integros, e parem de sujar a nome de Jesus.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Os neo-profetas da paz




Por razões obvias, na mente de muitos, Deus se manifesta apenas em meio as vitórias e sucessos da vida. De acordo com este "conceito triunfalista", não existe espaço para derrota ou fracasso.


"Deus é glorificado em meio a vitórias, e não na derrota", é o que vaticinam nos púlpitos. Neste caso, se houver alguma espécie de derrora ou fracasso, então, você deve; Expulsar, amarrar, lançar para o abismo, fazer atos proféticos, frequentar campanhas da vitória, aumentar o dízimo, melhorar a oferta, orar mais, jejuar mais, ungir, tomar banho com sabonete ungido, passar toalhinha com o suor do pastor, fazer despacho com água do rio jordão, participar de um sessão de descarrego ou desencapetamento total, e mais um monte de babaquices "santas".




Vejam abaixo este e-mail profético da vitória.



Esse é o primeiro e-mail do ano, portanto profetizo na vida de vocês:
Um Janeiro de Provisão...
Um Fevereiro de Restituição...
Um Março de Milagres...
Um Abril de Restauração...
Um Maio de Portas Abertas...
Um Junho de Vitórias Certas...
Um Julho de Maravilhas Incontáveis...
Um Agosto de Surpresas Inigualáveis...
Um Setembro de Muita Glória...
Um Outubro de Muita Vitória...
Um Novembro de Sonhos Realizados...
Um Dezembro de Desejos CONCRETIZADOS...
TENHAM UM ANO CHEIO DE VITÓRIAS!!!


A pergunta é: Este sucesso profético vem em nome de quem? Jesus ou "deus-ventre"? Não quero fazer apologia ao fracasso e a miséria, todavia "no mundo tereis aflições" ja dizia o realista existencial, Jesus de Nazaré. Por mais incongruente que pareça, as melhores vitórias vem em meio as "aparentes derrotas" da vida. Em última análise, a maior das vitórias, nossa salvação eterna, foi efeito de um momento desgraçado e humilhante, a cruz!


O que o profeta Jeremias tem a dizer dos "profetas da paz"?


É extremamente importante ouvi-lo, pois não houve outra época onde os profetas da paz enganaram mais o povo com falsas ilusões do que a sua. Que se levantem outros Jeremias em nossa geração complacente e bajuladora!


Com a palavra, Jeremias 28.6-9:


Disse, pois, Jeremias, o profeta: Amém! Assim faça o SENHOR; confirme o SENHOR as tuas palavras, que profetizaste, e torne ele a trazer os utensílios da casa do SENHOR, e todos os do cativeiro de Babilônia a este lugar. Mas ouve agora esta palavra, que eu falo aos teus ouvidos e aos ouvidos de todo o povo:

Os profetas que houve antes de mim e antes de ti, desde a antiguidade, profetizaram contra muitas terras, e contra grandes reinos, acerca de guerra, e de mal, e de peste. O profeta que profetizar de paz, quando se cumprir a palavra desse profeta, será conhecido como aquele a quem o SENHOR na verdade enviou.

O "evangelho da saúde perfeita" e a culpa dos doentes



Umas das principais características da Teologia da Prosperidade é a crença na saúde perfeita. Muitos inclusive, a chamam de "evangelho da saúde perfeita". Isto porque, de acordo com os profetas da prosperidade, os verdadeiros crentes não devem ficar doentes, ou se estão, devem determinar urgentemente a cura com a palavra da fé. Obviamente, se você é crente e está doente, ou você não tem fé, ou está debaixo de maldição misteriosa.


- Se você está enfermo, Deus não é contigo!!!! Acha que estou exagerando? Pasme, foi o que ouvi em uma pregação dias atrás, no noite de natal. Curioso é que na igreja, bem a minha frente, havia alguns surdos recebendo a mensagem em libras, e atrás, uma jovem paralítica. Fiquei tentando imaginar que tipo de catrástrofe esta mensagem distorcida causou na alma dos enfermos. Quem estava doente, se tornou duas vezes mais. Que Deus é esse? Que só está com os fortes, perfeitos e saudáveis? Seria este "deus fantasioso" uma nova espécie de Hitler, em busca de uma raça perfeita? Confesso que fiquei absolutamente enojado, com o estômago embrulhado.


O psiquiatra suiço Paul Tounier avaliou este ensino e suas consequências na alma dos enfermos, no ano de 1951, em seu livro "Culpa e graça". Ele diz:


Assim, nós vemos crentes, teólogos e leigos de todas as igrejas e de todas as denominações, sobretudo as mais zelosas em socorrer os doentes, esmagá-los com testemunhos religiosos, proclamar com força o poder de Deus que sara os que confiam nele dando a entender ao doente que lhe falta fé. Ele já carrega uma falsa culpa por estar doente; agora, acrescenta uma outra, bem mais grave, desta vez religiosa; a idéia de ter culpa por não se curar, a despeito de todos os cuidados e de todas as orações de que é objeto, a idéia de que ele não se cura, de que não é digno da graça de Deus, ou que qualquer proibição, qualquer pecado oculto e desconhecido é um obstáculo a isto! (TOUNIER, Paulo. Culpa e graça. p, 20.).

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Cruzada contra a Teologia da Prosperidade

Neste vídeo, John Piper explica porque repudia tanto a Teologia da Prosperidade e diz claramente que está em uma cruzada contra os conceitos propagados por esta pseudo-teologia. Vale a pena assitir. Não é simplesmente um ataque, mas um chamado ao verdadeiro evangelho e a Gloria de Deus.


Porque a Teologia da Prosperidade é tão atrativa?




Esta é uma pergunta muito comum em nossos dias. E toda classe de pensadores já deram suas respostas; jornalistas, teólogos, sociólogos da religião, filósofos, silasmalafanianos, e leigos. Não procurarei neste post responder o porque este "lixo existêncial" importado do USA deu tão certo na arraial evangélico tupiniquim. Todavia, dizem que a teologia é como o vinho: envasada na Alemanha, envelhecida na Inglaterra, deteriorada nos EUA e finalmente exportada para o Brasil.



No século XV, Tomás de Kémpis, monge e escritor místico alemão, deixou registrado algo muito interessante sobre este "evangelho das portas largas", em uma das obras de maior influência no cristianismo, "Imitação de Cristo". Vejamos o que ele tem a dizer:



"Há muitas pessoas hoje em dia que amam o reino celestial de Jesus, porém poucas carregam sua cruz; muitas ansiando por conforto, mas poucas suportam sofrimentos. Longa é a fila das pessoas que compartilham de seu banquete, porém curta é a fila dos que compartilham de seu jejum. Todos desejam participar de seu júbilo, mas somente uns poucos estão dispostos a sofrer por sua causa. Há muitos que seguem a Jesus até o partir do pão, poucos o fazem até o momento de beber o cálice do sofrimento. Muitos que enaltecem seus milagres, poucos que o seguem na indignidade de sua cruz". (The Imitation of Christ, p.76-77).


Acredito que é este tipo de pessoa descrito por Tomás de Kémpis que faz a Teologia da Prosperidade ser um sucesso de consumo. Enquanto houver procura por tais facilidades, haverá oferta.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Cansei da Teologia da Prosperidade



Por Leonardo G. Silva – Th.M



Desde que comecei a minha militância cristã, tenho tido muitos choques com alguns adeptos da teologia da prosperidade. Com a promessa de riquezas, carros mansões e de uma saúde de ferro, os pastores adeptos desse movimento iludem os “fiéis” manipulando-os ao seu bel prazer.


È muito interessante notar que nos círculos da heresia da prosperidade, a benção do crente sempre está relacionada a algum tipo de sacrifício financeiro: o famoso “toma lá, dá cá”. Deus, nesse sistema teológico mercantil, é uma espécie de banco de crédito: Você dá o dinheiro pra ele, para depois receber o investimento de volta com juros e interesses.


Muitos adeptos dessa teologia são tele-pastores e tele-evangelistas que vivem pedindo dinheiro para manter um programa no ar. O programa deles está sempre fechando as portas por falta de patrocínio, mas a verdade é que esses programas levam anos no ar e nunca fecham. Seria um milagre? Sim, talvez o milagre da multiplicação de marionetes, de novos parceiros-fiéis, socios-contribuintes do Show (da exploração) da Fé.


Acho que o que esses tele-pastores precisam, além dum bom óleo de peroba para passar na cara, é de uma aula de cristianismo bíblico. Se esses homens lessem a Bíblia, saberiam que Jesus nasceu num estábulo emprestado, proferiu suas pregações num barco emprestado, montou num jumento emprestado, recolheu o que sobrou dos pães e peixes num cesto emprestado e foi sepultado em um túmulo emprestado. Só a cruz era dele.


Pedro e João, quando subiam ao templo para orar foram interpelados por um mendigo coxo que pedia esmolas. Pedro disse àquele coxo: “não tenho ouro nem prata”. Creio que naquele dia o mendigo era mais próspero financeiramente do que Pedro, pois é possível que ele estivesse esmolando ali há algum tempo. Contudo, Pedro e João tinham algo que aquele mendigo coxo não possuia: “Mas o que tenho, isso te dou...”


Cada vez que leio a narrativa de Atos dos Apóstolos, fico ainda mais revoltado com o que os modernos pastores estão fazendo com o cristianismo. Nos tempos do cristianismo primitivo, ser pastor significava transformar-se em alvo. Eles eram os primeiros a morrer em tempos de crise e perseguição. Hoje é diferente: ser pastor significa ter status. E os crentes? Estes eram humilhados, aprisionados e açoitados, lançados às feras; outros eram icinerados vivos na ponta de uma estaca para iluminar os jardins do imperador. Vejo isso e me pergunto onde está a prosperidade desses homens? Onde está a promessa de riqueza na vida deles? Será que eles não eram crentes? Sim, o eram. E em maior proporção que muitos de nós, que em meio à comodidade e ao luxo nos esquecemos de incluir Deus na nossa agenda diária.


E não é só na igreja primitiva que encontramos esses exemplos não: e o que dizer dos crentes de aldeias paupérrimas da África, que padecem das coisas mais necessárias e comuns? Crentes que fazem uma só refeição por dia e ainda agradecem a Deus pelo pouco que têm. Será que eles são amaldiçoados? Será que a promessa de prosperidade não se estende a eles? Quanta hipocrisia!


Quando ouço falar de pastores presidentes que ganham 100 salários mínimos e de telepastores cuja renda mensal ultrapassa a soma de 1 milhão de reais, ou ainda de salafrários que constroem mansões de mármore importado em Campos do Jordão, meu coração entristece ao ver o quanto nos distanciamos daquele cristianismo bíblico, saudável, puro e simples, que não promete riquezas na terra, mas garante um tesouro no céu.


Definitivamente não posso compactuar com essa corja de ladrões, vendilhões do templo e comerciantes da fé. Não posso concordar com essa doutrina diabólica e anti-cristã que transforma o evangelho em uma empresa religiosa, em uma sociedade onde o distintivo do crente não é o amor, mas a folha de pagamento do “fiel”. Não consigo deixar de odiar esse sistema porco, imundo, onde o nome de Jesus é usado para ludibriar os ingênuos. Também não posso deixar de desmascarar esses falsos mestres, discípulos de Balaão, que por causa da paixão pelo vil metal vão além dos limites bíblicos e profetizam o que Deus não mandou. Minha alma é protestante, e por isso não posso calar. Sei também que há exceções, e que há muitos pastores que são sérios e não mercadejam a fé, mas acaso não são as exceções a confirmação de uma regra?

FONTE: http://pulpitocristao.blogspot.com/