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sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Desperta, tu que dormes



Texto: Daniel Grubba


A verdadeira mensagem cristã não é alienadora, ao contrário disso, é libertadora; Ela nos liberta de uma vida auto-centrada e egoísta; e uma vez iluminados pela verdade, nada mais fica no mesmo lugar, pois no seio desta anunciação está a boa notícia para o oprimido.

A verdade é que o espírito desta mensagem está em profundo antagônismo a alienação em todas suas matizes e esferas. E isto significa que o verdadeiro evangelho carrega uma mensagem de despertamento de consciências letárgicas, que por sua vez podem ter se tornado letárgicas em virtude de filosofias secularizadas ou sistemas religiosos. E penso que o segundo caso é mais perigoso que o primeiro. Sim, pois prerrogam para si um "carimbo do céu" que supostamente legaliza seu estado de dessensibilização.

Por isso não causa espanto nenhum ver nos evangelhos Jesus chamando a atenção daqueles ultra-religiosos que diziam: "Nós vemos". Ora, se de fato vissem alguma coisa, não seriam repreendidos por Jesus por causa de sua cegueira, e veriam com clareza seu estado de alienação. Portanto à estes Jesus disse: "Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Vemos; por isso o vosso pecado permanece." (João 9 : 41).

Alienação-cegueira a que exatamente?

Alienação em relação a agenda de Deus. E a agenda de Deus é o próximo. E quem é meu próximo? Foi o que perguntou um certo doutor da lei para Jesus, na inútil tentativa de justificar a si mesmo. Jesus disse que o próximo é um homem que descia de Jerusalém para Jericó, foi roubado, ferido e agora está abandonado a própria sorte. E pior do que isso, dependendo da compaixão de sacerdotes e levitas completamente alienados a dor que ele sente, pois são gente que julgam enxergam alguma coisa mas na verdade são cegos. Que tipo de cegos eles eram? Do tipo daqueles que se preocupam com suas atividades religiosas acima de tudo e de todos, e o caído para estes é mais um pecador que merece seu fardo, afinal só um pecador pode estar assim; tão caído.

Ora, quem são os caídos pelo caminho em nosso atual contexto? Se disponha a olhar ao seu redor nos ambientes que você frequenta e você os verá. Ande algumas quadras em seu bairro e ali eles estarão.Você encontrá o nu que não foi vestido, o faminto que não foi alimentado, o prisioneiro que não foi visitado e além deles; o Senhor (Mateus 25.35-46).


Menno Simons, teólogo da reforma, disse: "A fé evangélica verdadeira [...] não pode permanecer adormecida, mas manifesta-se em toda bondade e ações de amor. Ela veste o nu, alimenta os famintos, consola os aflitos, abriga os miseráveis, ajuda e consola todos os oprimidos, retribui o bem pelo mal, serve àqueles que a ferem e ora por aqueles que a perseguem"

Segundo o IPEA, 10% da população mais rica do Brasil detêm 75,4% de todas as riquezas do país. O que o Evangelho que pregamos pensa a respeito disso?

sábado, 8 de agosto de 2009

Os profetas

Texto: Ricardo Gondim

Os profetas marcaram a história judaica
por se oporem ao cerimonialismo religioso sustentado pela lógica sacrificial e pelo peleguismo sacerdotal. Eles forneceram conteúdos éticos à consciência política e ao tecido social. Os profetas encararam o rei para defender viúvas pobres. Amargaram a pobreza para denunciar desvios morais entre o povo.

Os profetas eram moscas que atrapalhavam a sala do perfumista corrupto; suas palavras, martelos que despedaçavam corações de pedra; seus olhos, faíscas do fogo consumidor da justiça. Se vidas corriam perigo, não temiam descer em fossas fétidas. Não havia dinheiro que os comprasse. Os profetas desmascaravam personagens que ritualizavam a espiritualidade, desdouravam promessas de paz e caminhavam na contramão do sucesso.

Os profetas detectavam os blefes do jogo do poder. De dedo em riste, saiam do palácio para clamar no deserto. Mesmo sabendo que não seriam ouvidos, insistiam em prenunciar os despenhadeiros que a falta de amor abria. Prometiam trevas pela falta de ética e morte pelo egoismo. Desprezados em vida, precisaram esperar que o futuro lhes desse razão. Mas mesmo assim perseveram sob ameaça de assassinato e ostracismo.

Os profetas sentiram as dores divinas. Percebendo que a história descambava, se colocavam na brecha. Vendo que os acontecimentos fugiam do controle divino, vociferavam maldições. Os profetas sofriam, indignados com a banalização da vida e com a morte desnecessária de inocentes. Mais que porta-vozes do além, encarnavam o coração paterno de Deus.

Os profetas foram sentinelas nas muralhas que protegiam as cidades, bússulas na incipiente ética primitiva, faróis da esperança futura. Israel deve a eles sua permanência histórica mesmo tendo sido considerado uma Sodoma e se mostrado mais vil que os povos inumanos que o rodeavam. O judeu só não desapareceu como esterco da história devido a Isaías, Ezequiel, Oséias e outros.

Os profetas continuam necessários. Sem eles, as pedras clamam, Deus não fala, o futuro inexiste, toda a perspectiva se esgarça e o inferno se viabiliza. Nunca se precisou tanto deles, principalmente, agora, nesse protestantismo cooptado pelo mercado e instrumentalizado pela ganância.

Soli Deo Gloria.
Ricardo Gondim

Vi no Pavablog

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Indiferença



A vida cristã não demonstra indiferença àqueles que estão famintos e doentes ou têm qualquer outra dificuldade. A vida cristã não consiste em contentar-nos com as coisas que temos, ou com um viver da classe média, desfrutando de uma grande casa, carros novos, roupas finas e boas férias, ou com uma boa formação educacional, ou com a riqueza espiritual de boas igrejas, Bíblias, ensino correto das Escrituras, amigos ou uma comunidade cristã.

Pelo contrário, a vida cristã envolve a conscientização de que outros carecem de tais coisas; portanto, precisamos sacrificar nossos próprios interesses, para nos identificarmos com eles, comunicando-lhes cada vez mais a abundância que desfrutamos…Viveremos inteiramente para Cristo somente quando estivermos dispostos a empobrecer, se necessário, para que outros sejam ajudados.

James Montgomery Boyce em "A Centralidade da Cruz".

domingo, 2 de agosto de 2009

Decepção profunda pela igreja

Por Martin Luther King Jr.


Em decepção profunda, chorei pela frouxidão da igreja. Mas estejam certos de que minhas lágrimas foram lágrimas de amor. Não pode existir decepção profunda onde não existe amor profundo. Sim, amo a igreja. Como poderia não amar?


Não digo isso como um daqueles críticos negativos que sempre conseguem encontrar algo errado na igreja. Digo isso como um sacerdote do evangelho, que ama a igreja; que foi acalentado em seu seio; que tem sido sustentado por suas bênçãos espirituais e que permanecerá fiel a ela enquanto o fio da vida estender-se.

...Em decepção profunda, chorei pela frouxidão da igreja. Mas estejam certos de que minhas lágrimas foram lágrimas de amor. Não pode existir decepção profunda onde não existe amor profundo. Sim, amo a igreja. Como poderia não amar? Estou na posição um tanto singular de filho, neto e bisneto de pregadores. Sim, vejo a igreja como o corpo de Cristo. Mas, oh!, como maculamos e deixamos cicatrizes nesse corpo por meio da negligência social e por meio do medo de sermos não-conformistas.

Houve um tempo em que a igreja era bastante poderosa – no tempo em que os primeiros cristãos regozijavam-se por ser considerados dignos de ter sofrido por aquilo em que acreditavam. Naqueles dias, a igreja não era apenas um termômetro que registrava as idéias e princípios da opinião pública; era um termostato que transformava os costumes da sociedade.

Quando os primeiros cristãos entravam em uma cidade, as pessoas no poder ficavam transtornadas e imediatamente buscavam condenar os cristãos por serem “perturbadores da paz” e “forasteiros agitadores”. Mas os cristãos prosseguiam, com a convicção de que eram “uma colônia do céu”, que devia obediência a Deus e não ao homem. Pequenos em número, eram grandes em compromisso. Eles eram intoxicados demais por Deus para serem “astronomicamente intimidados”.

Com seu esforço e exemplo, puseram um fim em maldades antigas como o infanticídio e duelos de gladiadores. As coisas são diferentes agora. Com tanta frequência a igreja contemporânea é uma voz fraca, ineficaz com um som incerto. Com tanta frequência é uma arquidefensora do status quo. Longe de se sentir transtornada pela presença da igreja, a estrutura do poder da comunidade normal é confortada pela sanção silenciosa – e com frequência sonora – da igreja das coisas tais como são.

Mas o julgamento de Deus pesa sobre a igreja como nunca pesou. Se a igreja atual não recuperar o espírito de sacrifício da igreja primitiva, perderá sua autenticidade, será privada da lealdade de milhões e será descartada como um clube social irrelevante com nenhum significado para o século XX. Todos os dias, encontro pessoas jovens cuja decepção com a igreja tornou-se uma repugnância absoluta.

Trechos da *Carta de uma prisão em Birmingham*

Fonte: OrdemLivre.org via Pavablog

sexta-feira, 19 de junho de 2009

1 bilhão de famintos


A barreira de um bilhão de pessoas que passam fome será superada em 2009 em consequência da crise econômica mundial, anunciou nesta sexta-feira a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).

"Pela primeira vez na história da humanidade, mais de um bilhão de pessoas, concretamente 1,02 bilhão, sofrerão de subnutrição em todo o mundo", adverte a FAO em um relatório sobre a segurança alimentar mundial.

"O número supera em quase 100 milhões o do ano passado e equivale a uma sexta parte aproximadamente da população mundial", destaca a agência especializada da ONU, que tem sede em Roma.

Ler matéria completa aqui

Fonte: Notícias UOL
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"Porque tive fome, e não me destes de comer"
Jesus de Nazaré
(Mt. 25.42)

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Resplandeça vossa luz diante dos homens (2)



O Jornal Nacional está apresentando, nesta semana, uma série de reportagens sobre o trabalho social de igrejas evangélicas que atuam no Brasil. Nesta quarta, você vai conhecer o trabalho dos metodistas nos subterrâneos da nossa maior cidade.

Eles estão lá, mas pouca gente vê ou quer ver. Vidas estacionadas nas calçadas, presas no beco escuro da indiferença.

“A cidade trata como quem não tem mais chance. Eles olham e falam: ‘Aquele não tem mais jeito’”.

É um caminho que parece não ter volta. Viver na rua transforma a vida das pessoas por fora e também por dentro.

Sensações de raiva, angustia, fome, medo vão se multiplicando. A prefeitura de São Paulo estima que 12 mil pessoas vivam dessa forma, numa espécie de prisão a céu aberto, nas ruas da cidade.

Pois quis a ironia que justamente no bairro da Liberdade, uma porta aberta para dentro de um viaduto se transformasse numa saída, numa chance para quem não tem mais nada.

Leia o restante aqui

Fonte: Jornal Nacional - Globo.com

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Resplandeça a vossa luz diante dos homens



O Jornal Nacional vai apresentar, a partir desta terça-feira, uma série de reportagens sobre obras sociais de algumas das dezenas de igrejas evangélicas presentes no Brasil.

“Quando você pode ensinar uma criancinha que está ao seu lado, quando você pode curar a ferida de alguém está sofrendo no hospital. Todos esses gestos não são simplesmente de um profissional que está fazendo, mas alguém que tem o ideal de servir e que gostaria, através daquele gesto, alcançar a grandeza e o amor de Deus no seu coração”, afirma Benjamim Bernardes, reverendo da Igreja Presbiteriana.

“Eu gostei da parte onde diz que Deus não quer que nenhum dos pequeninos se perca. Assim como ele amou a ovelha perdida, ele ama a todos igualmente. A missão trouxe uma nova realidade para uma comunidade indígena, uma outra vida”, revela o índio caiuá Natanael Cárceres.

“Todos nós podemos fazer algo, por mais simples que seja, desde que haja no nosso coração o desejo sincero de poder servir ao próximo”, conclui Benjamim Bernardes.

Fonte: Pavablog
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Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. (Mateus 5.16)

sexta-feira, 22 de maio de 2009

A pessoa de espírito público

Foto ilustrativa: Jonathan Edwards pregando


Sinto-me atônito com a indiferença de tantos evangélicos para com a causa dos direitos humanos no Brasil, especialmente no que se relaciona à morte por assassinato de tantos brasileiros. Esses homicídos ocorrem num contexto em que evangélicos estão sendo igualmente assassinados. Em algumas comunidades pobres o horário do culto é determinado pelo crime organizado. Fora o fato perceptível de que a freqüência aos cultos de meio de semana tem caído por força do medo gerado pela violência.

Nesses dias de uma igreja sem alma, vale a pena ler essa citação do teólogo americano, Jonathan Edwards (1703-1758):

"O amor cristão é oposto ao espírito egoísta, no sentido de que ele é misericordioso e liberal, por este mesmo motivo ele dispõe a pessoa a ter um espírito público. Um homem com um espírito correto não é um homem de visões estreitas e privadas, mas alguém grandemente interessado e preocupado com o bem da comunidade à qual pertence, e particularmente à cidade ou vila na qual reside, portanto trabalha para o verdadeiro bem estar da sociedade da qual ele é membro. Deus mandou os judeus que foram levados longe, para o cativeiro da Babilônia, que procurassem o bem daquela cidade, embora esta não fosse seu lugar de nascimento, mas apenas a cidade do seu cativeiro".

Como explicar o protestantismo brasileiro à luz de uma declaração como essa? Toda a contribuição que poderíamos dar para o desenvolvimento e cura dessa nação é obliterada por um discurso que aliena e conduz os que se dizem salvos a se sentirem culpados apenas nas ocasiões em que praticam seus pecados privados, muitos dos quais restritos ao templo. O sujeito se arrepende porque não participou do ensaio do coral, porque não deu sua oferta ou não foi à vigília, mas não tem a mínima preocupação com o fato de que milhares estão sendo explorados, torturados e mortos ao seu redor, enquanto ele e os seus amigos permanecem preocupados com o próximo festival de música da igreja.

A ausência de um espírito público é grave sinal de uma conversão insincera, fecha o coração de milhares para a pregação do evangelho e faz com que o Espírito Santo se aparte das nossas assembléias.

Texto: Antonio Carlos Costa

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Amazing Grace



Nós, cristãos contemporâneos, temos o péssimo hábito de desconhecer - para não dizer desprezar - as nossas raízes e história. Talvez seria surpresa para muitos saber que foi um grupo de evangélicos, liderados por William Wilberforce, que aboliram a escravidão na Inglaterra, assinando o Ato contra o Comércio de Escravos de 1807. Este filme trata justamente da vida de William Wilberforce, deputado britânico e cristão fervoroso, que dedicou sua carreira política à causa abolicionista. Jornada pela Liberdade é um chamado ao despertamento social e político no meio evangélico. (Vitor Grando).

Veja uma breve biografia de Wilberforce:
http://pt.wikipedia.org/wiki/William_Wilberforce

Leia o artigo Quem acabou com a escravidão?

Veja o clipe do belo hino que dá título ao filme:
Amazing Grace

Meu amigo Vitor, do blog Despertai Bereanos esta fazendo um sorteio deste dvd.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Mãe, no céu tem pão?


Voz trêmula de febre e fome; corpinho raquítico nos braços da mãe, que tem seu coração cortado de dor e desespero.

Uma pergunta feita no sertão perdido de um Brasil marcado por contrastes. Rostos de menores de rua famintos refletidos nos vidros de luxuosos carros importados de norte ao sul do Brasil. Alimentos desperdiçados e jogados ao lixo frente aos olhos famintos que desesperadamente procuram qualquer coisa para comer. Insensibilidade que beira o cinismo, no país que a quase totalidade se proclama cristã.

No céu tem pão? Pergunta pouco ouvida nas nossas igrejas. E, por isso, pouco respondida. Por que será? Será que a fome dessa gente não tem nada a ver com a fé cristã? Será que nem Deus se importa com isso? Será que outras preocupações mais "importantes", (mais espirituais) estão levando também as igrejas a uma postura de insensibilidade frente a esses problemas?

Não acredito. Ou, melhor, não quero acreditar. muitos - talvez nem tantos - que continuam lutando para salvar vidas. Corajosos e profundamente espirituais. Pois só os que são movidos pelo Espírito de Deus conseguem se manter fiéis à causa dos mais pobres, mesmo diante de insensibilidade, desilusões e incompreensões.

Jung Mo Sung em "Se Deus existe, porque há pobreza?" (Editora Reflexão).

sábado, 25 de abril de 2009

O cristão, o mundo e a crise

Rev. Charles Ellis clamando a Deus, no altar da igreja, por uma intervenção que impeça a falência de seus "ídolos motorizados".


Por Daniel Grubba

Fico consternado e preocupado com a alienação do povo evangélico. Frases como "eu não sou do mundo" ou "quando eu era do mundo" chegam a causar uma certa palpitação em meu ser. A palavra "mundo" e seus variados significados bíblicos no NT (pelos menos três significados distintos no grego koinê) são tão mal compreendidos que tenho a impressão de que estamos vivendo em uma bolha sem qualquer tipo de contato com o mundo-realidade que nos cerca, ou até mesmo que criamos um gueto onde nos sentimos razoavelmente confortáveis em meio a uma crise sem precedentes na história.

E para comprovar que não estou completamente equivocado, me diga você quando foi a última vez que você ouviu em seu gueto gospel uma análise sociológica bem fundamentada sobre a crise econômica mundial e suas trágicas consequências para os miseráveis da terra? Seja sincero e me responda se não ouviu dizer dos púlpitos que "a crise não afeta os cristãos porque não somos deste mundo e porque temos o direito de comer o melhor desta terra"? Ouvi um tele-evangelista dizer em alto e bom som: "O mundo está em crise, eu não!" Parece que a crise somente não chegou no mundinho dele, mas no mundo da maioria dos cristãos comuns e o mundo pelo qual Jesus morreu (Jo 3.16) as coisas não andam nada bem.

Alias, falando em mundo, não foi Jesus que orou "não peço que os tire do mundo, mas que os livres do mal (Jo 17.15)". Não foi também ele que afirmou "também eu os enviei ao mundo (Jo 17.18)"? Não foi ele que em parábola disse que "o campo é o mundo e a boa semente são os filhos do Reino (Mt. 13.38)? Pense comigo: Você é a semente, o campo é o mundo, e esta realidade campo-semente deve se uma relação de mútua troca de vida. O campo sem a semente continua sendo um campo, todavia um campo sem beleza (como o mundo hoje sem a influência daqueles que deveriam torná-lo belo). Agora uma semente que não se doa de forma vital ao campo, não serve para nada. Isto que dizer que se você não se doar a este mundo penetrando em suas profundezas, como a semente que morre no solo para produzir vida, então você acaba de assumir uma nauseante existência. Isto é, você existe, mas não tem motivos para existir. Sua vida é uma paixão inútil e neste caso você está apenas preenchendo seu tempo com futilidades até o dia da morte (como por exemplo, ir à igreja sem parar, porque não há nada a se fazer neste mundo irrecuperável).

O campo está em crise e literalmente abandonado. E as sementes que podem fazer florescer a vida, estão se ausentando desta tarefa divina. Por outro lado, a semeadura do joio está a todo vapor. Porque não queremos saber do mundo, os filhos das trevas o tomam como propriedade privada. Não se deixe enganar, todos nós estamos em crise, cristãos ou não, todos compartilhamos de um mesmo ambiente.

Leonardo Boff, teólogo brasileiro, expoente da teologia da libertação, nos ajuda a entender dimensão desta malfadada crise.

"A crise social mundial é terrificante. Os dados do Pnud 2007-2008 atestam que os 20% mais ricos absorvem 82,4% das riquezas mundiais enquanto os 20% mais pobres têm que se contentar com apenas 1,6%. Quer dizer, é uma pequeníssima minoria que, em escala mundial, monopoliza o consumo enquanto os zeros econômicos são lançados na miséria. Há mais de 900 milhões de famintos, e a cada quatro segundos morre um ser humano de fome conforme refere J. Ziegler em seu relatório para a ONU sobre a pobreza no mundo. [...] A crise ecológica não é menor. Estamos já dentro do aquecimento global, que vai ser devastador para milhões de pessoas e para a biodiversidade. E. Wilson, renomado biólogo, denunciou que a cada ano a voracidade capitalista elimina definitivamente 3.500 espécies de seres vivos. Diante deste quadro dramático, só nos resta repetir o que deixou escrito em latim o gênio da crítica ao capital: "Dixi et salvavi animam meam" ("Disse e salvei a minha alma")."

Como sementes do mundo temos a responsabilidade de interagir com este campo, porque enquanto nos trancamos em nosso gueto-igreja em uma série de infindáveis reuniões, multidões de famintos morrem por dia e o planeta clama por socorro.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Contra as injustiças sociais

Por Daniel Grubba


A igreja cristã deve retomar seu papel profético no mundo e denunciar com veemência as injustiças sociais, os sistemas de opressão e toda e qualquer legitimação da exclusão dos pobres. Antes todavia, a "comunidade dos salvos" deve ser capaz de enfrentar em seu próprio seio, o egoísmo materialista, a alienação sócio-histórica e a letárgica omissão, que constituiem-se reais tentações para milhões de cristãos.


Uma igreja militante deve orientar-se através de todo o seu poder dimensional (conforme propõe a teologia da Missão Integral). Isto é, a dimensão koinonica, didática, diaconal, kerigmática e profética.


Koinônica. Devemos lutar pela criação de uma comunidade eclesiástica verdadeiramente cristã, onde não reinem as injustiças sociais. Uma comunidade que não seja o reflexo de uma sociedade caída, mas a antítese da mesma. A comunhão (koinonia) entre os cristãos deve ser orientada por um projeto semelhante a da igreja primitiva conforme relato de Atos 2.44-47.


Didática. Em tempos de relativismo ético e moral, a igreja deve assumir um projeto de ensinar à sociedade e a igreja uma ética que seja solidária e comunitária. Um ensino que seja evidenciado pela práxis cristã fraternal.


Diaconal. É o servir, praticar a filantropia. A igreja é o lugar dos que servem, quem quer ser servido encontre outro lugar. Servir é encarnar a mensagem do Bom Samaritano, seguindo seu exemplo. É exercer a compaixão conforme nos ordena Jesus em Mateus 25.


Kerigmática. Levar a mensagem de salvação e libertação. Mensagem esta que tem como objetivo transformar as realidades do mundo em que vivemos e não se conformar com ele (Rm.12.2).


Profética. Denunciar os sistemas de opressão, as perversas leis do mercado capitalista, a maligna ordem de exclusão social e egoísmo crescente no coração do homem.


Como podemos ver, esta dimensão eclesiástica integral é muito mais do que apenas atenuar os efeitos nocivos da injustiça, como propõe a filosofia assistencialista. A igreja deve ir além, e procurar através de sua função multidimensional, destronar as causas deste mal chamado injustiça social. O mal metafísico, isto é, as realidades espirituais da maldade(Efésios 6). O mal pessoal, que age no coração do homem desviando-o do caminho da justiça. E por fim, o mal estrutural, que são sistemas sócio-político-econômico de opressão.


"Corra, porém, o juízo como as águas, e a justiça como o ribeiro impetuoso." (Amós 5: 24).

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Pode a igreja rica do Ocidente ser a Sodoma moderna?



Eis que esta foi a iniquidade de Sodoma, tua irmã: Soberba, fartura de pão, e abundância de ociosidade teve ela e suas filhas; mas nunca fortaleceu a mão do pobre e do necessitado. -Ezequiel 16.49
-

No verso acima, e em todo contexto imediato do capítulo 16, o profeta Ezequiel brada sua voz contra o povo de Jerusalém. Sua denuncia era que o povo de Deus tinha ser tornado tão perverso quanto o povo de Sodoma. E não pense que Deus estava falando apenas da imoralidade sexual, como todos nós costumamos associar quando ouvimos falar da cidade de Sodoma. Pensar deste modo é se apegar a uma visão bastante parcial e relativa.

Qual era o pecado então? Ora, o que diz o texto? O povo de Sodoma se tornou, em virtude de sua ganância materialista (fartura de pão), um povo absolutamente omisso em relação ao pobre e necessitado. E por isso foi destruído.

E como a igreja rica do Ocidente tem se comportado? Porque é tão raro ouvirmos nossos profetas condenando a omissão pecaminosa em relação aos pobres? Porque não ouvimos falar em nossas igrejas acerca dos 30 milhões de famintos que morrem por dia e de 2/3 da população mundial que mal tem o que comer? Ronald J. Sider questiona em relação a nossa omissão em seu perturbador livro "Cristão ricos em tempo de fome": Porque será? Será que temos permitido que nossos interesses econômicos e egoístas torçam a interpretação das Escrituras?

Veja este impactante vídeo produzido pela galera do United e pense um pouco a respeito do pecado de Sodoma e se tiver sinceridade questione seu papel no mundo, assim como estes ricos cristãos australianos fizeram.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Responsabilidade social cristã




Responsabilidade social cristã conforme os termos do Pacto de Lausanne

Afirmamos que Deus é o Criador e o Juiz de todos os homens. Portanto, devemos partilhar o seu interesse pela justiça e pela conciliação em toda a sociedade humana, e pela libertação dos homens de todo tipo de opressão. Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus, toda pessoa, sem distinção de raça, religião, cor, cultura, classe social, sexo ou idade possui uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida, e não explorada. Aqui também nos arrependemos de nossa negligência e de termos algumas vezes considerado a evangelização e a atividade social mutuamente exclusivas. Embora a reconciliação com o homem não seja reconciliação com Deus, nem a ação social evangelização, nem a libertação política salvação, afirmamos que a evangelização e o envolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão. Pois ambos são necessárias expressões de nossas doutrinas acerca de Deus e do homem, de nosso amor por nosso próximo e de nossa obediência a Jesus Cristo. A mensagem da salvação implica também uma mensagem de juízo sobre toda forma de alienação, de opressão e de discriminação, e não devemos ter medo de denunciar o mal e a injustiça onde quer que existam. Quando as pessoas recebem Cristo, nascem de novo em seu reino e devem procurar não só evidenciar mas também divulgar a retidão do reino em meio a um mundo injusto. A salvação que alegamos possuir deve estar nos transformando na totalidade de nossas responsabilidades pessoais e sociais. A fé sem obras é morta.

[Lausanne, Suíça, 1974]

Quem é esse que dá carros aos ricos e escárnio aos necessitados?




Por Danilo Fernandes

Outro dia eu estava parado em um sinal de transito na saída da linha amarela. Olhei para os lados e contei cinco destes adesivos de propaganda de autoria da fina flor destes “apóstolos” da chamada teologia da prosperidade. Antes que eu pudesse refletir a respeito, sinto um cutucar em meu braço, apenas um prenúncio do desconforto que se seguiria aos comentários de um amigo não cristão:

- Acha pouco? Eu vejo esta gente mentirosa desfilando santidade e desapego e só “tomando posse aqui” “prosperando com Cristo ali”; fazendo campanha para comprar carro para depois ficar desfilando pela cidade com adesivo dizendo que foi Jesus Quem deu. Visualiza: Sinal fechado, avenida movimentada. Pedintes e meninos miseráveis presentes. Fome. O que este adesivo diz a respeito do seu Deus a estes miseráveis precisando tão desesperadamente de ajuda? - Eis aqui um “deus” que dá automóveis aos ricos e se cala para nossa miséria. - Gente hipócrita que não pode aplicar na bolsa, mas investe na fogueira santa de Israel!

Claro, Conhecemos as respostas. Esta é a luta. Mas, sinceramente, está feia a coisa! Que desserviço faz ao Reino esta gente!

- Aloôô!? Jesus não padeceu na cruz para que todos tenham a sua BMW!

Que tipo de mensagem é esta que essa gente prega? E quem os segue: - Tolos ou ignorantes? Convertidos ou “impactados”? Quem vai ao açougue se pretende comprar roupas? Pode alguém buscar qualquer coisa mundana e encontrar a Deus? O dinheiro, tanto mais? Enganem-se aqui e ali, mas certas coisas são tão claras. Ditas pelo próprio Senhor Jesus! Por que esta gente decide basear seu ministério numa filosofia que torna ainda mais difícil as pessoas receberem a Salvação? E isto tudo dentro da própria igreja de Jesus! Estes pregadores ajudam o seu rebanho a se libertar de sua escravidão às coisas do mundo para buscar a Deus, ou ao contrário, o que fazem é lhes ferrar ainda mais os grilhões na carne? O que esta gente está fazendo, criando uma geração para testemunhar contra o caráter Santo de Deus?

Não tenho nada contra o dinheiro, mas a maioria serve ao dinheiro; mais inteligente é ter o dinheiro a seu serviço!

Custa muito ensinar que o nosso Senhor é sim, um Deus de providência. Um Deus de Amor que conhece e aprecia todos os desejos; medos; necessidades; e sonhos de Seus filhos? Mas e o Reino? Custa apresentar a verdade? Custa conclamar o seguir a Jesus, sem agregar junto uma listinha? A campanha infame? Tenham temor! Parem de vender terreno na lua dizendo que a imobiliária é de Jesus! Até onde eu sei o último corretor de imóveis licenciado por Deus no planeta foi Moises! Ainda assim, levou 40 anos para entregar o terreno! E moradia no Céu, só Jesus! Grátis! Sola Fide!

Aos que procuram em necessidade, melhor dizer: - Esqueçam a sua lista de Papai Noel em casa. Noel só sabe das suas renas, mas Jesus te conhece! Ele não precisa de listas! Jesus sabe de cada uma das suas necessidades! Não se preocupe com estas coisas. Nem com o que se perde, e nem com o que se ganha. Ocupe-se, somente. Ocupe-se de buscar o Pai. Faça isto em verdade total. A lista de Jesus é muito melhor, e não tem fim as Suas bênçãos e as Suas misericórdias!

***
Fonte: Genizah via Pulpito Cristão

domingo, 12 de abril de 2009

Comunidade de justiça



"Vamos ajudar a criar comunidades onde a justiça de Deus seja vivida diariamente; onde não hajam diferenças entre ricos e pobres; onde todos os dons sejam compartilhados de acordo com as necessidades. Nestas comunidades, os que governam são os que servem. Aqui a autoridade é encarada dentro da estratégia da cruz. Aqui, o mundo vê que Deus é real, que as boas novas do evangelho podem ser cumpridas. As injustiças e desordens da sociedade encontram um respostas neste tipo de vida em comunidade [...] Desta comunidade achamos força para trabalhar em prol da justiça para os pobres e oprimidos. Nos tornamos voz daqueles que não tem voz. Confrontamos as autoridades com a sua respostas de fazer justiça. Estes atos são continuidade à mensagem de amor e paz de Jesus. "


Jose Gallardo, O caminho bíblico da justiça. p.59-60.

sábado, 4 de abril de 2009

Do verdadeiro jejum



Acaso não é este o jejum que escolhi? que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo? e que deixes ir livres os oprimidos, e despedaces todo jugo? Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desamparados? que vendo o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne?

Então romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará. e a tua justiça irá adiante de ti; e a glória do Senhor será a tua retaguarda. Então clamarás, e o Senhor te responderá; gritarás, e ele dirá: Eis-me aqui. Se tirares do meio de ti o jugo, o estender do dedo, e o falar iniquamente; e se abrires a tua alma ao faminto, e fartares o aflito; então a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio dia.

Isaias 58.6-10

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Estilo de vida ostentoso



Como os cristãos poderão se unir na missão integral quando muitos deles (principalmente cristãos ocidentais) adotam um estilo de vida ostentoso, enquanto a grande maioria deles, (especialmente nos países subdesenvolvidos,) está incapacitada para satisfazer as necessidades humanas mais básicas? A pobreza no 3ºmundo coloca um ponto de interrogação sobre o estilo de vida das pessoas (especialmente cristãos) no mundo ocidental. E a resposta apropriada a este problema é adotarmos um estilo de vida simples e lutarmos por uma reestruturação radical das relações econômicas entre cristãos em todas as partes, baseada no conceito cristão da mordomia.

René Padilla em Missão Integral (Ensaios sobre o Reino), p. 148.

domingo, 29 de março de 2009

Um mundo de contrastes

quinta-feira, 26 de março de 2009

Portas largas para Abelardos



O Senhor está maluco! Reduzir o capital? Nunca! ...Para defender meu dinheiro, serás executado hoje mesmo! Herdo um tostão de cada morto nacional!

A concentração do capital é um
fenômeno que eu apalpo com minhas mãos. Sob a lei da concorrência, os fortes comerão sempre os fracos.

Só se pode prosperar a
causa de muita desgraça, mas de muita mesmo!


Estas são falas de Abelardo I, personagem central do livro de Oswald de Andrade - O Rei da Vela. Percebe-se claramente que se trata de uma caracterização perfeita de um ganancioso capitalista, totalmente desumano e egoísta.

A percepção que tenho (quero estar errado), é que Abelardos são bem vindos na maioria das igrejas, e mais; são considerados abençoados, pois segundo o entendimento da massa, foram galardoados com o raríssimo "dom de adquirir riquezas".

Abelardos, na maioria das vezes, encontram seu lugar de destaque nos primeiros assentos (E atentardes para o que traz traje e lhe disserdes: Assenta-te tu num lugar de honra - Tiago 2.3) e são disputados a tapa por líderes que olham apenas a vantagem de tê-los como sócio-parceiros ministeriais. A razão está no fato dos Abelardos poderem colocar a disposição destes megalomaníacos narcisistas o poder da realização. Não há limites. Ora, pense nas possibilidades: Espaço na mídia, status social, abertura política, terrenos, templos, e alguns mimos também.

Abelardos são aqueles que não sabem discernir entre a sua mão direita e sua mão esquerda. Isto é, não bem onde está o limite entre a necessidade e o desejo. Sua convicção é a de que Deus realizará todos os seus desejos, mesmo que isto implique em cavar ainda mais o abismo da desigualdade social.

Pergunto como é possível algo outrora considerado tão perverso se tornar um símbolo de status e mera convenção social? Ora, será que houve uma trágica redução do evangelho, aquilo que René Padilla chama de evangelho-cultura? Isto é, podemos dizer que o evangelho se tornou um covil de Abelardos? Será que a mensagem de prosperidade material conseguiu alienar as consciências e encobrir a estupidez da exclusão social, exploração dos pobres e aniquilação dos recursos naturais?

Pense e reflita.