terça-feira, 31 de março de 2009

Via dolorosa






Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido.
Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.
Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos.
Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca. Isaias 53 - 700A.C

Evangelho Maltrapilho / Brennan Manning

domingo, 29 de março de 2009

Um mundo de contrastes

Pregadores sem profundidade



"Seus dons de pregador não melhoraram; são iguais a sete anos atrás; você possui vida, mas não profundidade; há alguma monotonia em sua mensagem; não há amplidão de pensamento. Somente a leitura diária pode remediar isso, combinada com meditação e oração. Você causa a si próprio graves prejuízos ao omitir tais coisas. Sem elas, você nunca chegará a ser um pregador profundo, e nem sequer um cristão completo. Oh! comece, só! Reserve horas determinadas de cada dia para entregar-se aos exercícios especiais. Você pode adquirir o gosto que ainda lhe falta: o que no princípio é tedioso passará a ser agradável depois".

(John
Wesley em correspondência a um de seus cooperadores.)

Fonte: Lelièvre, Mateo. João Wesley: sua vida e obra. p.143-144.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Portas largas para Abelardos



O Senhor está maluco! Reduzir o capital? Nunca! ...Para defender meu dinheiro, serás executado hoje mesmo! Herdo um tostão de cada morto nacional!

A concentração do capital é um
fenômeno que eu apalpo com minhas mãos. Sob a lei da concorrência, os fortes comerão sempre os fracos.

Só se pode prosperar a
causa de muita desgraça, mas de muita mesmo!


Estas são falas de Abelardo I, personagem central do livro de Oswald de Andrade - O Rei da Vela. Percebe-se claramente que se trata de uma caracterização perfeita de um ganancioso capitalista, totalmente desumano e egoísta.

A percepção que tenho (quero estar errado), é que Abelardos são bem vindos na maioria das igrejas, e mais; são considerados abençoados, pois segundo o entendimento da massa, foram galardoados com o raríssimo "dom de adquirir riquezas".

Abelardos, na maioria das vezes, encontram seu lugar de destaque nos primeiros assentos (E atentardes para o que traz traje e lhe disserdes: Assenta-te tu num lugar de honra - Tiago 2.3) e são disputados a tapa por líderes que olham apenas a vantagem de tê-los como sócio-parceiros ministeriais. A razão está no fato dos Abelardos poderem colocar a disposição destes megalomaníacos narcisistas o poder da realização. Não há limites. Ora, pense nas possibilidades: Espaço na mídia, status social, abertura política, terrenos, templos, e alguns mimos também.

Abelardos são aqueles que não sabem discernir entre a sua mão direita e sua mão esquerda. Isto é, não bem onde está o limite entre a necessidade e o desejo. Sua convicção é a de que Deus realizará todos os seus desejos, mesmo que isto implique em cavar ainda mais o abismo da desigualdade social.

Pergunto como é possível algo outrora considerado tão perverso se tornar um símbolo de status e mera convenção social? Ora, será que houve uma trágica redução do evangelho, aquilo que René Padilla chama de evangelho-cultura? Isto é, podemos dizer que o evangelho se tornou um covil de Abelardos? Será que a mensagem de prosperidade material conseguiu alienar as consciências e encobrir a estupidez da exclusão social, exploração dos pobres e aniquilação dos recursos naturais?

Pense e reflita.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Igreja Ideal



Há muitos anos um grande amigo me emprestou um livro que me abençoou muito e que continuo voltando para suas palavras de tempos em tempos em minha jornada pastoral, buscando servir a Deus e Sua Igreja. Trata-se de Comunidade: Lugar do Perdão e da Festa. Abaixo estão algumas linhas onde Jean Vanier fala sobre a busca da comunidade ideal, perfeita.

Não devemos ir em busca da comunidade ideal. Trata-se de amar aqueles que Deus pôs ao nosso lado, hoje. Eles são o sinal da presença de Deus entre nós.

Talvez preferíssemos pessoas diferentes, mais alegres e mais inteligentes. Mas são estas que Deus nos deu e que escolheu para nós. É com elas que devemos criar a unidade e viver a aliança. Escolhemos sempre nossos amigos, mas não escolhemos nossos irmãos e irmãs: eles nos são dados. Assim é na comunidade.

Fico cada vez mais impressionado ao ver pessoas insatisfeitas na comunidade. Quando vivem em comunidades pequenas, gostariam de comunidades grandes, nas quais se é mais ajudado, há mais atividades comunitárias, onde se celebram liturgias mais belas e mais bem preparadas. Quando vivem em comunidades grandes, sonham com as pequenas, que lhes parecem ideais. Os que têm muito trabalho sonham com longos momentos de oração; os que têm muito tempo para si mesmos, parece que se aborrecem. Então, procuram desesperadamente uma atividade que dê sentido à própria vida.

Não é verdade que todos nós sonhamos com essa comunidade ideal, perfeita, em que estaríamos plenamente em paz, em perfeita harmonia, tendo encontrado o equilíbrio entre exterioridade e interioridade, na qual tudo seria alegria?

É difícil fazer com que as pessoas compreendam que o ideal não existe, que o equilíbrio pessoal e essa harmonia sonhada só chegam depois de anos e anos de luta e sofrimento, e que, mesmo assim, são passageiros, são apenas momentos de graça e de paz.

Não percam tempo buscando a comunidade perfeita. Vivam plenamente na sua comunidade, hoje. Parem de ver os defeitos que ela tem; olhem antes para os seus próprios defeitos e saibam que vocês são perdoados e que podem, por sua vez, perdoar os outros e entrar, hoje, nesta conversão do amor.

Será que não deveríamos pensar a ekklesia da mesma maneira que o texto acima? Não seria uma contradição buscar uma igreja perfeita quando estamos anunciando que a igreja é o lugar onde é proibido a entrada de pessoas perfeitas (usando as palavras do livro de John Burke)?

Igreja são pessoas; se pessoas são imperfeitas, como podemos esperar que a igreja seja perfeita? Será que não estamos usando de desculpas para encobrir nosso ego e fugir da realidade que o problema verdadeiro pode estar dentro nós? Nós somos a comunidade, nós somos a igreja; será que os defeitos que enxergamos não são, na realidade, um reflexo de nós mesmos?

O fato é que precisamos desesperadamente aprender a amar…

Sandro Baggio

segunda-feira, 23 de março de 2009

A igreja em descrédito



Diariamente perseveravam unânimes no Templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e
contando com a simpatia de todo o povo. (Atos 2.46-47)

Ora, se de fato estivéssemos em meio a um avivamento, como nos costumam dizer os mais otimistas, algo parecido com o registro de Atos seria uma constatação factível. Isto é, contaríamos com a simpatia de todo o povo. Mas infelizmente, não é o que mostra o gráfico estatístico acima. Ao contrário do que acontecia na primeira comunidade cristã, hoje somos objetos da repugnância social. Assim pois, por vossa causa, o nome de Deus é blasfemado (Romanos 2.24).

A pesquisa de opinião, feita com 1.200 entrevistados, mostra o Judiciário está em 9º lugar entre 17 instituições no índice de confiança. Em relação à confiança em profissionais, os juízes ficam em quinto lugar. A pesquisa revela que em primeiro estão as Forças Armadas, seguidos das escolas, Policia Federal, Ministério Público, o presidente da República, a Igreja Católica e, em penúltimo
lugar a Justiça e, em último, as Igrejas Evangélicas.

Fonte do gráfico: Caminhando na graça, de graça.