Mostrando postagens com marcador Dietrich Bonhoeffer. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dietrich Bonhoeffer. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 16 de junho de 2009

Graça barata e a graça preciosa



Nascido em Breslau, na Alemanha, em 4 de fevereiro de 1906, Dietrich Bonhoeffer foi teólogo, pastor luterano e um dos mentores e signatários da Declaração de Bremen, quando, em 1934, diversos pastores luteranos e reformados formaram a Bekennende Kirche (Igreja Confessante), rejeitando desafiadoramente o nazismo: “Jesus Cristo, e não homem algum ou o Estado, é o nosso único Salvador”.

Seus últimos dois anos foram vividos na Prisão Preventiva do Exército em Tegel, até que, em 9 de abril de 1945, pouco tempo depois do suicídio de Adolf Hitler e apenas três semanas antes que as tropas aliadas libertassem o campo, foi enforcado em virtude de seu engajamento na resistência anti-nazista.

Em sua obra mais famosa, escrita no período de ascensão do nazismo, intitulada “Discipulado”, Bonhoeffer desenvolve o conceito de “graça barata e graça preciosa”, uma das mais belas páginas da teologia protestante. Eis um pequenino trecho:

“A graça barata é a graça que nós dispensamos a nós próprios. A graça barata é a pregação do perdão sem arrependimento, é o batismo sem a disciplina de uma congregação, é a Ceia do Senhor sem confissão dos pecados, é a absolvição sem confissão pessoal. A graça barata é a graça sem discipulado, a graça sem a cruz, a graça sem Jesus Cristo vivo, encarnado. A graça preciosa é o tesouro oculto no campo, por amor do qual o homem sai e vende com alegria tudo quando tem; a pérola preciosa, a qual o comerciante se desfaz de todos os seus bens para adquiri-la; o governo régio de Cristo, por amor do qual o homem arranca o olho que o escandaliza; o chamado de Jesus Cristo, o qual, ao ouvi-lo, o discípulo larga as suas redes e o segue. A graça preciosa é o evangelho que há que se procurar sempre de novo, o dom pelo qual se tem que orar, a porta à qual se tem que bater. A graça é preciosa porque chama ao discipulado, e é graça por chamar ao discipulado de Jesus Cristo; é preciosa por custar a vida ao homem, e é graça por, assim, dar-lhe a vida; é preciosa por condenar o pecado, e é graça por justificar o pecador. Essa graça é sobretudo preciosa por tê-la sido para Deus, por ter custado a Deus a vida de seu Filho – “fostes comprados por preço” – e porque não pode ser barato para nós aquilo que para Deus custou caro. A graça é graça sobretudo por Deus não ter achado que seu Filho fosse preço demasiado caro a pagar pela nossa vida, antes o deu por nós. A graça preciosa é a encarnação de Deus. A graça preciosa é a graça considerada santuário de Deus, que tem que ser preservado do mundo, não lançado aos cães; e é graça como palavra viva, a palavra de Deus que ele próprio pronuncia de acordo com seu beneplácito. Chega até nós como gracioso chamado ao discipulado de Jesus; vem como palavra de perdão ao espírito angustiado e ao coração esmagado. A graça é preciosa por obrigar o indivíduo a sujeitar-se ao jugo do discipulado de Jesus Cristo. As palavras de Jesus: ‘O meu jugo é suave e o meu fardo é leve’ são expressão da graça [...] A graça e o discipulado permanecem indissoluvelmente ligados”.

2009 | Ed René Kivitz

Fonte: Ibab

sexta-feira, 17 de abril de 2009

O mártir Dietrich Bonhoeffer



"Na manhã do dia 6 de abril de 1945, entre as 5 e as 6 horas, os prisioneiros [...] foram retirados de suas células e o julgamento do tribunal de guerra lhes foi comunicado. Pela porta entreaberta de um quarto, no acampamento, eu vi, antes que os condenados fossem despidos, o pastor Bonhoeffer de joelhos diante de seu Deus em uma intensa oração. A maneira perfeitamente submissa e certa de ser atendida com que esse homem extraordinariamente simpático orava me emocionou profundamente. No local da execução, ele orou novamente e depois subiu corajosamente os degraus do patíbulo. A sua morte ocorreu em alguns segundos. Em cinqüenta anos de prática, jamais vi um homem morrer tão completamente nas mãos de Deus."

[Testemunho do médico do campo de concentração nazista Flossenburg, citado em D. Rance. Un siècle de temóins. Paris: Fayard-Le Sarment, 2000]

Fonte: Cinco Solas

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Problemas com a igreja?


Todo relacionamento passa por três fases distintas: idealização, frustração e, por fim, maturidade. Isso vale para amizades, namoro, relacionamento com Deus e... com a Igreja. Quando estamos dando nossos primeiros passos na fé, tudo é perfeito. A Igreja é o paraíso na terra. Mas essa fase de idealização infelizmente passa, e começamos a ver que a Igreja não é tão perfeita assim, pelo menos se apercebem disso aqueles que não estagnam, e seguem um processo de crescimento emocional, espiritual e intelectual normal e saudável.
Já os que param no tempo dificilmente enfrentam esse tipo de problema, são aqueles que como disse Bertrand Russel: “Preferem morrer a pensar”. Mas à medida que amadurecemos e nos tornamos mais cientes da Santidade de Deus, vemos o quão distante do ideal a Igreja está. E ai bate a frustração. A reação a esse estágio varia de pessoa para pessoa, uns se afastam de Deus, outros mudam de igreja (comprando uma nova ilusão de que encontrarão uma igreja perfeita), e outros... estagnam. Sim, alguns param na fase de idealização, mas outros, param na frustração. Vivem de criticar a Igreja e criticar lideres espirituais por eventuais pecados ou desvios doutrinários. Jesus ao fundar a Igreja jamais esperou perfeição.
Perfeição é algo que não veremos nesse mundo. A raça humana é decaída e depravada e isso é válido para você e eu. Da mesma forma que as pessoas que eu critico tem defeitos, eu também tenho – talvez até piores! O que não podemos fazer é estagnar na fase de frustração – quanto tempo eu parei nessa fase! – mas sim, partir para o próximo degrau: a maturidade. É nessa fase que aprendemos aceitar a Igreja e o próximo pela graça, assim como Deus nos aceita com todas nossas imperfeições. É a fase que ao invés de nos isolarmos e cultivarmos a frustração, nós nos envolvemos com nossa Igreja imperfeita para transformá-la. Uma fase em que paramos de pensar no que a Igreja pode fazer por nós, mas o que nós podemos fazer pela Igreja. Uma fase em que derrubamos nossos muros da arrogância e permitimos sermos tratados por pessoas tão pecadoras quanto nós, e ao invés de menosprezar os desvios dos outros, nós fazemos o possível para abrir seus olhos, não com uma atitude de superioridade, mas de forma humilde.
A fase da maturidade é uma fase que eu estou encontrando agora, aceitar minha Igreja com todas suas imperfeições, sem esquecer que foi essa mesma Igreja imperfeita e cheia de gente imperfeita que tanto me beneficiou outrora. É a fase que ao nos depararmos com o erro nós dizemos: “Eu mudarei essa Igreja, pois tudo é possível àquele que crê!”. É fé na prática! Dietrich Bonhoeffer quando fez 14 anos, surpreendeu a família ao anunciar sua decisão de se tornar ministro do Evangelho e estudar teologia. Seus irmãos e irmãs criticaram essa decisão e disseram que a Igreja era uma instituição “pobre, fraca, monótona e pequeno-burguesa”. A resposta de Bonhoeffer? “Nesse caso, precisarei reformá-la”.
O que você espera para reformar a sua Igreja? A Igreja precisa de consertos sim, mas esses consertos não serão corrigidos através de cristãos hipócritas e arrogantes que criticam ao invés de agir. A Igreja precisa de uma reforma, não só de credo mas também de obras. Amadureçam! Ensinem! Preguem! Pratiquem!